Majdi Mohammed/AP
Majdi Mohammed/AP

Vice pede a renúncia do primeiro-ministro do Iraque

Gestão de Nouri al-Maliki é criticada e pode levar país à divisão entre xiitas e sunitas

Agência Estado

13 de janeiro de 2012 | 15h36

BAGDÁ - O vice-primeiro-ministro do Iraque, Saleh al-Mutlaq, pediu nesta sexta-feira, 13, ao primeiro-ministro iraquiano Nouri al-Maliki que renuncie ao cargo e poupe ao país o risco de uma guerra civil. Mutlaq, que é sunita, alertou que o Iraque cada vez mais corre o risco de mergulhar em um conflito sectário entre muçulmanos sunitas e xiitas. Maliki é xiita.

 

Mutlaq acusou nesta semana que o Iraque está virando uma ditadura sob o governo de Maliki. Ele afirmou que os iraquianos poderão se revoltar se Maliki continuar no cargo e pediu que o premiê se submeta a um voto de confiança no Parlamento. "Quanto mais tempo Maliki permanecer no poder, maior será o risco de termos um Iraque dividido", disse nesta sexta-feira o vice-premiê em coletiva de imprensa na fortificada Zona Verde da capital iraquiana.

 

Enquanto isso, o governo de Maliki continua a pedir a prisão do político sunita mais importante do país, o vice-presidente Tariq al-Hashemi, que está escondido na região semiautônoma do Curdistão iraquiano. Maliki acusou Hashemi de ter liderado esquadrões da morte, algo que o vice-presidente nega. Hashemi permanece como convidado do presidente da região curda, Jalal Talabani, e está fora do alcance do governo de Bagdá.

 

"A região inteira vai pagar o preço do caos que poderá ocorrer no Iraque", disse Mutlaq. "Talvez o que o Irã queira seja que os árabes do Iraque lutem contra outros regimes árabes sunitas sob a procuração do Irã", disse Mutlaq.

 

Os árabes xiitas, que formam cerca de 65% da população iraquiana, têm profundos laços com o Irã, que não é árabe mas é muçulmano xiita. Muitos líderes e religiosos xiitas iraquianos viveram durante anos no exílio no Irã, quando Saddam Hussein governava o Iraque, até 2003. Acredita-se que o Irã apoie grupos de militantes xiitas no Iraque atualmente.

 

Mutlaq sugeriu que os curdos, que formam 15% da população e são sunitas, embora não árabes, poderão se mover para perto do bloco político Iraqiya, o mesmo do vice-presidente Hashemi e dos árabes sunitas. "Os curdos também estão cada vez mais convencidos que apoiar o governo Maliki é um erro. Talvez boicotar o Parlamento seja uma maneira de pressionar o governo a mudar", disse Mutlaq. O governo curdo não quis fazer comentários sobre as declarações. As informações são da Associated Press.

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