Vice pode constranger mais McCain

Mensagem de conservadores na convenção corre o risco de ser outra vez ofuscada por revelações sobre Sarah

Patrícia Campos Mello, SAINT-PAUL, EUA, O Estadao de S.Paulo

03 de setembro de 2008 | 00h00

Novas revelações sobre Sarah Palin, vice na chapa do candidato à Casa Branca John McCain, voltaram a ofuscar a mensagem dos republicanos durante a convenção do partido. Críticos afirmam que a vida da governadora do Alasca não foi pesquisada de forma rigorosa e McCain tomou uma decisão impulsiva ao escolhê-la. "Sarah é uma página em branco, tudo depende do que vai acontecer daqui para frente", disse Matthew Dowd, estrategista da campanha de Bush em 2004. "Se continuarem a surgir segredos, as pessoas vão começar a perguntar - o que está acontecendo lá no Alasca? Quem é essa mulher? Em vez de ser uma escolha original, Sarah se transformará em uma escolha absurda." Na segunda-feira, Sarah anunciou a gravidez de sua filha Bristol, de 17 anos. O anúncio - e o fato de que Bristol se casará com o pai da criança - foi bem recebido pelos conservadores, principal base da governadora. Eles argumentam que o episódio comprova o respeito da governadora e de sua filha à vida do bebê. Mas outras revelações estão inquietando os republicanos. Sarah disse que contratou um advogado para representá-la no Alasca. Ela está sendo investigada por ter usado seu cargo de governadora para tentar demitir o ex-marido de sua irmã, um policial rodoviário. A campanha de McCain estaria fazendo de tudo para que o resultado da investigação não seja divulgado antes das eleições de novembro. Também foi divulgado que seu marido, Todd, foi preso por dirigir bêbado, há 20 anos.A revelação mais grave foi a de que Sarah teria apoiado o projeto de lei da "Ponte para o Nada", uma das principais bandeiras do senador McCain contra o desperdício de dinheiro público. Antes de opor-se publicamente ao projeto, ela apoiou o pedido de US$ 223 milhões para a ponte entre as cidades de Ketchikan e Ilha Gravina, no Alasca. Sarah também contratou lobistas para assegurar a liberação de verbas federais - no valor de US$ 27 milhões - para a cidade de Wasilla, onde ela era prefeita. Acabar com leis que dão verbas para projetos locais, muitas vezes desnecessários, é um dos principais motes da campanha de McCain. E ele retratou Sarah como uma reformista, inimiga ferrenha da liberação de verbas para interesses específicos e desperdício de recursos públicos. Foi divulgado um discurso que Sarah fez na igreja da Assembléia de Deus em Wasilla, onde ela afirmou a estudantes que a guerra do Iraque era uma missão de Deus. Também foi publicado que Sarah teria sido integrante do Partido da Independência do Alasca, que prega a secessão do Estado. Mas a campanha de McCain nega. Vários jornais e TVs mandaram equipes para o Alasca para vasculhar a vida da governadora.O New York Times publicou uma reportagem dizendo que a equipe de McCain só foi ao Alasca levantar a vida de Sarah na quinta-feira passada - um dia antes do anúncio de que ela seria vice - e McCain só havia se encontrado durante 15 minutos com a governadora antes de reunir-se com ela para oferecer o cargo. McCain rebate as críticas: "O processo de triagem dos vices foi rigoroso e eu estou grato pelos resultados." Segundo a campanha, em seu discurso de hoje Sarah terá oportunidade de apresentar seu lado da história e superar toda a fofoca que está circulando.

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