Vice-premier de Israel quer solução pacífica com o Irã

O vice-primeiro-ministro israelense, Shimon Peres, disse, na terça-feira, 13, que deve haver uma solução pacífica para o problema nuclear iraniano, apesar de seu presidente prometer apagar Israel do mapa. Peres disse estar esperançoso com a paz no Oriente Médio, algo repetido horas depois por Saeb Erekat, assessor do presidente palestino, Mahmoud Abbas. Israel considera o Irã uma "ameaça existencial" e não descarta um ataque como último recurso para evitar que Teerã desenvolva armas nucleares. Os líderes israelenses, porém, vem adotando um tom mais brando recentemente. "Eu não gostaria de escurecer ainda mais o futuro com declarações beligerantes", disse Peres em entrevista coletiva, quando questionado sobre um ataque preventivo. "Espero mesmo que o problema possa ser resolvido economicamente, politicamente e psicologicamente." Peres e Erekat foram a Tóquio para uma reunião sobre o Oriente Médio na quarta-feira, com a participação também da Jordânia e do anfitrião Japão. Também a partir de quarta-feira, ocorre uma conferência de dois dias destinada a reforçar a confiança mútua. O vice-premiê de Israel reiterou a tradicional política do seu país de "ambigüidade estratégica" quanto à posse de armas nucleares, uma postura que o premiê Ehud Olmert pareceu abandonar em dezembro, com comentários que de certa forma confirmavam o fato de Israel possuir bombas atômicas. Peres disse ser possível obter a paz, mas acrescentou que o caráter dividido da coalizão governista palestina complica as conversas. Olmert, que no domingo que se reuniu com Abbas, prometeu boicotar o governo palestino que está sendo formado com o grupo islâmico Hamas, a não ser que tal gabinete reconheça a existência de Israel, renuncie à violência e aceite os acordos de paz prévios. O primeiro-ministro disse no domingo que Israel vê "elementos positivos" num plano de paz proposto em 2002 pela Arábia Saudita, e Peres ecoou isso, dizendo que a iniciativa desperta esperanças, mas é só o começo. Erekat disse que a proposta, que contém alguns termos que Israel considera inaceitáveis, é um passo importante, e que Israel deve considerá-la seriamente. "Realmente esperamos que os israelenses examinem a iniciativa de paz árabe com a seriedade necessária", afirmou. Erekat qualificou as conversas de "boas", já que as partes decidiram manter os canais de comunicação abertos. Mas ele rejeitou as críticas de Peres ao governo de coalizão, afirmando que sua diversidade não representa um problema. "As negociações com Israel são jurisdição do presidente, e não do governo, e não deveria haver qualquer pretexto para que Israel não participe das negociações."

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