Vice-presidente boliviano já fala em indenizações

O vice-presidente da Bolívia, Alvaro García Linera, afirmou que o mote da atual campanha em curso no país é nacionalizar sem expropriar, o que pode indicar uma disposição de indenizar empresas atingidas pela nacionalização. Em entrevista exibida no Jornal das Dez, da Globo News, ele garantiu que não faltará gás boliviano para o Brasil. "O que está em debate agora é quanto fica para a Bolívia e para a Petrobrás", afirmou sobre as negociações em curso para definir o novo preço do combustível. "Temos argumentos técnicos suficientes para mostrar que a cifra que demos são justas", frisou. "Mas, independentemente desse resultado, sempre haverá gás para São Paulo e para o Brasil", garantiu, ao lembrar que até durante os confrontos com mortes entre civis e militares não houve interrupção do fornecimento. "Somos um país cumpridor de seus compromissos internacionais."Ao ser indagado sobre o papel do governo venezuelano no processo de retomada do controle da cadeia produtiva pela estatal boliviana, Alvaro García Linera foi enfático: "Nenhum. Especulou-se demais sobre o papel de Hugo Chávez", garantiu. "São simplesmente rumores infundados que têm mais a ver com uma atitude politicamente maledicente. Nada tem a ver com a realidade", salientou. "A decisão de nacionalizar é um programa de governo." Diante da insistência da entrevistadora sobre a presença de técnicos venezuelanos na Bolívia, o vice-presidente foi evasivo: "Como pode haver também franceses, noruegueses, argentinos e brasileiros", desconversou. "A nossa proposta de nacionalizar foi uma proposta de mais de oito meses atrás, a partir de uma grande mobilização em 2003", recordou. E concluiu: "Nacionalizar sem expropriar, esse foi o mote."

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