Leopoldo Smith/Efe
Leopoldo Smith/Efe

Vice-presidente de Cuba rejeita reformas políticas

De acordo com Marino Murillo, as únicas mudanças na ilha serão ajustes econômicos que tornem o socialismo cubano 'sustentável'

HAVANA, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2012 | 03h05

HAVANA - Em meio à visita do papa Bento XVI, o vice-presidente cubano, Marino Murillo, garantiu que "não haverá uma reforma política" no país. "Em Cuba, discutimos uma atualização do modelo econômico que faça nosso socialismo sustentável e tenha a ver com o bem-estar de nosso povo", afirmou Murillo, que comanda a reforma econômica de Raúl Castro. "Em Cuba, não ocorrerá reforma política."

Para o economista dissidente Oscar Espinosa Chepe, porém, "essas mudanças são inevitáveis e já estão ocorrendo na sociedade cubana". "É impossível desvencilhar a economia da política. Ninguém vai conseguir evitar a mudança política. Não há mais maneira de parar esse movimento, que foi iniciado pelo próprio governo (no fim de 2010, com a aplicação de medidas de abertura econômica na ilha)."

Na opinião de Espinosa, a visita do papa "está trazendo um segundo alento às reformas". Apesar da declaração de Murillo, o Partido Comunista ratificou, em janeiro, a intenção de limitar a 10 anos os mandatos dos líderes cubanos - incluindo os de alto escalão - apesar de não estabelecer um prazo para essa mudança.

"Uma vez definida e estipulada a política (de limitação à permanência nos cargos) pelas instâncias pertinentes, poderemos iniciar a aplicação paulatina sem esperar pela reforma constitucional", disse, na ocasião, o presidente cubano.

Questionado sobre as declarações de Bento XVI, que sugeriu aos cubanos a adoção de novos modelos após dizer que a ideologia marxista já não responde à realidade, Murillo foi evasivo. "Tudo o que preserve a unidade de nossa nação, o socialismo cubano e o nosso desenvolvimento, é bem-vindo", disse.

Chávez. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que está em Cuba para submeter-se a uma radioterapia, afirmou ontem que não interferirá na agenda do papa no país. "Bento XVI é um chefe de Estado. Eu sou um chefe de Estado. Raúl é chefe de Estado. Eles têm sua agenda, não vou interferir em nada, apenas saúdo Bento XVI e saúdo sua presença nessa Cuba amada", disse o venezuelano em entrevista ao canal de TV estatal da Venezuela.

Nos últimos dias, especulou-se a respeito da possibilidade de Chávez se encontrar com Bento XVI, aproveitando a presença de ambos na ilha. No entanto, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, reiterou que "não há nenhum pedido de audiência de Chávez com o papa".

Flotilha. A flotilha Democracia Luzes de Liberdade, organizada por exilados cubanos em Miami, partiu ontem com destino a Havana. O objetivo, segundo seus organizadores, é permanecer a cerca de 20 quilômetros da capital cubana no momento em que o papa Bento XVI se reunir com Raúl - e, possivelmente, com Fidel Castro.

O grupo deixou a Flórida em quatro barcos. Uma segunda flotilha, que deveria partir à tarde e fazer o mesmo trajeto, foi cancelada em razão do mau tempo. "É preciso que o mundo seja informado de que estão prendendo dissidentes em todo o país", afirmou Ramón Saúl Sánchez, presidente do Movimento Democracia, com sede em Miami. 

 

AP, COM GUILHERME RUSSO

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