Vice-presidente uruguaio critica Venezuela no Mercosul

O vice-presidente do Uruguai, Danilo Astori, classificou como "uma ferida institucional" a adesão da Venezuela como sócio pleno do bloco regional. "Não compartilho a decisão de autorizar a entrada da Venezuela como membro pleno porque se trata de uma agressão institucional muito importante ao Mercosul, talvez a mais grave dos 21 anos do Mercosul", disse Astori ao jornal uruguaio El Observador, em sua edição publicada nesta terça-feira.

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE, Agência Estado

03 de julho de 2012 | 12h44

Para Astori, as decisões de suspender o Paraguai e aprovar a entrada da Venezuela significaram "ir ao coração do Tratado de Assunção e ignorar uma de suas normas mais importantes, que diz que a entrada de um membro pleno deve ser aprovada por todos os membros plenos já existentes". O vice-presidente alertou que, depois desta medida, "poderia acontecer qualquer coisa" no âmbito do Mercosul, porque "já não resta nenhuma norma importante que não seja violada". A situação, segundo ele, pode debilitar a institucionalização do Mercosul a ponto de que "já não sirva para nada".

O vice-presidente também disse ter esperanças de que a decisão possa ser revertida. "Se há esta possibilidade, deveria ser explorada", afirmou. As declarações do vice-presidente reforçam a polêmica sobre o assunto causada pelo alerta feito ontem pelo chanceler uruguaio, Luis Almagro, que se manifestou contrário à decisão tomada pelos presidentes Cristina Kirchner (Argentina), Dilma Rousseff (Brasil) e José "Pepe" Mujica (Uruguai), na última sexta-feira, em Mendoza. O governo do Uruguai não estava de acordo com a posição do Brasil e da Argentina de aproveitar a suspensão do Paraguai para aprovar a entrada da Venezuela, segundo deixou claro o chanceler.

Em entrevista à rádio El Espectador, Almagro opinou que o presidente Mujica tomou a "decisão política" correta, mas revelou que, durante a reunião de chanceleres optou por não exercer o direito a veto para evitar fraturas no Mercosul. Ele acrescentou que seus assessores legais vão estudar o caso e insinuou que poderia apresentar algum protesto. "Foi o Uruguai que propôs a data de 31 de julho para tomar a decisão final. Sendo assim, teremos de avaliar se há possibilidades de reverter o anúncio", afirmou, em referência à data marcada para a formalização da entrada da Venezuela, em solenidade no Rio de Janeiro.

Ontem à noite, o chanceler argentino, Héctor Timerman, divulgou uma nota à imprensa, na qual afirmou que "a entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul foi uma decisão unânime dos presidentes da Argentina, Brasil e Uruguai, durante a Cúpula de Mendoza". Na nota, Timerman ressaltou que os três presidentes escutaram as posições de seus respectivos chanceleres e assessores jurídicos do Brasil e da Argentina, e depois os presidentes decidiram em reunião a portas fechadas. "A análise dos assessores legais presentes também foi unânime de que a entrada da Venezuela cumpre estritamente com os Tratados do Mercosul e as legislações nacionais dos países partes", rebate a nota argentina.

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