Vice-primeiro-ministro sérvio renuncia

Suspeito de espionar para os Estados Unidos, o vice-primeiro-ministro sérvio, Momcilo Perisic, renunciou nesta terça-feira, mas alegou sua inocência e acusou os políticos de linha dura e os serviços de inteligência militar de tentar desacreditá-lo por razões políticas. Pode levar semanas para que a investigação em curso traga mais luz ao caso, mas as tensões aumentaram entre o presidente iugoslavo, Vojislav Kostunica, e seu arqui-rival, o primeiro-ministro da Sérvia, Zoran Djindjic, primeiro-ministro da Sérvia, a mais importante república da federação. Embora Djindjic tivesse sugerido que Perisic deveria renunciar durante a investigação, o primeiro-ministro sérvio criticou Kostunica e os militares iugoslavos por se tornarem um "centro de poder fora de controle ... violando os direitos humanos dos cidadãos" e "organizando escutas telefônicas e controles ilegais". Djindjic demonstrou-se revoltado ao saber que os serviços de inteligência militar haviam, durante meses, seguido e controlado as ligações telefônicas de seu vice, sem informar o governo, até a sua dramática prisão na semana passada, num restaurante de Belgrado, onde Perisic se encontrava com o diplomata norte-americano John David Neighbor, primeiro-secretário da embaixada dos EUA em Belgrado. Djindjic afirmou que o verdadeiro objetivo da prisão é prejudicar seu governo. Enquanto isso, Kostunica disse que há provas "concretas" de que Perisic passou material secreto para Neighbor. Os militares afirmaram que os documentos eram "relevantes para a defesa do país". Outras autoridades iugoslavas disseram que os documentos poderiam ser usados contra o ex-presidente Slobodan Milosevic, em seu julgamento no tribunal da Onu que julga crimes de guerra na ex-Iugoslávia, sediado em Haia, Holanda. Kostunica protestou quando Djindjic planejou a extradição de Milosevic para o tribunal, em junho passado, e continuou a desafiar exigências internacionais para que entregue outros 12 suspeitos, incluindo altos funcionários do regime de Milosevic. Já Perisic afirmou numa declaração que ele "seguiu o que era do interesse da nação" e que "a Sérvia está hoje numa encruzilhada - ou vai desaparecer em meio a um falso patriotismo" da facção de Kostunica ou vai se voltar para as reformas políticas e econômicas defendidas pelo governo de Djindjic. Perisic é um ex-comandante do Exército iugoslavo que serviu sob Milosevic, até ser demitido em 1998, por se opor à ofensiva desfechada contra os albaneses étnicos na província sérvia de Kosovo. A embaixada dos EUA negou que tenha havido qualquer tipo de espionagem e aceitou o pedido de desculpas do Ministério das Relações Exteriores em relação ao tratamento dispensado a Neighbor, que foi mantido incomunicável por 15 horas.

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