Vice-secretário de Estado dos EUA vai para a Goldman Sachs

O "número dois" do Departamento de Estado dos EUA, Robert Zoellick, apresentou sua renúncia para aceitar um cargo na iniciativa privada, anunciaram nesta segunda-feira fontes oficias. Zoellick voltará a atuar junto ao banco de investimento de Wall Street Goldman Sachs, entidade da qual foi conselheiro para assuntos internacionais durante o governo de Bill Clinton.A renúncia será efetivada em julho e ainda não foi anunciado o nome que substituirá Zoellick.Em uma breve cerimônia no Departamento de Estado, na qual esteve acompanhado pela responsável pela pasta, Condoleezza Rice, o subsecretário de Estado afirmou ter alcançado seus objetivos no posto e que a "hora" de partir havia chegado.A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, elogiou a figura de seu subsecretário pelo "trabalho ético incansável" e afirmou que ele "foi maior que nunca" todas as vezes que o Governo precisou encarar "dificuldades".Zoellick, afirmou Rice, foi um "estrategista e um líder intelectual que contribuiu para fazer dos Estados Unidos um país mais sólido e mais seguro"."Eu agradeço sua confiança e amizade", respondeu Zoellick.Líder diplomáticoO subsecretário de Estado, que ocupava o cargo há um ano e meio e foi, anteriormente, o responsável pelo comércio exterior dos Estados Unidos, também foi um dos nomes analisados para ocupar a Secretaria do Tesouro, embora não tenha conseguido o cargo.O anúncio de hoje não foi recebido com surpresa em Washington. Depois da confirmação de que Zoellick não receberia uma pasta no governo na reforma de gabinete promovida por Bush recentemente, os rumores sobre encontros do subsecretário de Estado e companhias de Wall Street cresceram na capital dos Estados Unidos.O vice-secretário negou, no entanto, que sua saída estivesse relacionada com a não confirmação de seu nome para o cargo de secretário de Tesouro dos EUA. Ele era um dos candidatos a ocupar o posto, mas o presidente George W. Bush anunciou o diretor-chefe da Goldman Sachs, Henry "Hank" Paulson, para substituir John W. Snow nessa secretaria, no mês passado. Meios de comunicação americanos disseram que a saída poderia estar relacionada com o fato de ter sido preterido. Zoellick, porém, negou a hipótese. "Sempre soube que seria um dos candidatos, como o presidente e outros me disseram, mas, como já disse, se fosse o presidente e pudesse escolher Hank Paulson, escolheria ele."A passagem de Zoellik como vice-secretário de Estado americano ficou marcada por uma aproximação com a China e, sobretudo, nas negociações de um acordo de paz no Sudão. Em maio, ele foi até Abuja, na Nigéria, para pressionar os grupos rebeldes da região sudanesa de Darfur pela assinatura de um tratado com o governo local. No caso da China, ele foi o responsável, ainda como representante de comércio dos EUA, pela entrada de Pequim e Taiwan na Organização Mundial do Comércio, em 2001. Zoellick também pressionou o governo chinês pela valorização da moeda do país.Em sua carta de renúncia ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, Zoellick destacou seu orgulho de ajudar "a fixar um novo marco de aproximação dos EUA à China, porque essa relação será vital para os americanos e o mundo".Segundo um anúncio da Goldman Sachs, Zoellick ocupará o cargo de vice-presidente da junta encarregada de assuntos internacionais da empresa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.