Enrique Marcarian/Reuters
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Vice uruguaio diz que entrada da Venezuela é 'ferida institucional'

Analista afirma que bloco do cone sul virou 'opereta'

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

03 de julho de 2012 | 16h39

BUENOS AIRES - O socialista Danilo Astori, vice-presidente do Uruguai, declarou nesta terça-feira que não aprova a decisão do Mercosul de aceitar a entrada da Venezuela como quinto sócio pleno do bloco do Cone Sul. "Não concordo com essa decisão, pois se trata de uma grande agressão institucional para o Mercosul. É a maior e mais grave ferida institucional em 21 anos do bloco."

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A entrada do país caribenho foi consumada na sexta-feira pelos presidentes de Brasil, Dilma Rousseff, a argentina Cristina Kirchner e o uruguaio José Mujica durante a cúpula do Mercosul na cidade de Mendoza, na Argentina. O ingresso venezuelano só foi possível graças à suspensão temporária do Paraguai, castigado pelo Mercosul pelo controvertido processo de impeachment que removeu Fernando Lugo da presidência de seu país no dia 22.

"Espero que algo possa ser feito para reverter isso (a entrada da Venezuela). Caso essa possibilidade exista, acho que deveria ser explorada", disse Astori, vice do presidente José Mujica e ex-ministro da Economia do ex-presidente socialista Tabaré Vázquez. Astori sustentou ao jornal uruguaio "El Observador" que o Uruguai foi à cúpula de Mendoza com a posição de discordar da entrada do país caribenho "por essa via". Mas, segundo ele, "as coisas ocorreram de outra forma ali".

Na cúpula de Mendoza a presidente Cristina destacou que a entrada da Venezuela seria oficializada numa reunião extraordinária no Rio de Janeiro no dia 31. Segundo Astori, porém, os fatos não estão consumados. O Uruguai propôs em Mendoza que, nessa data, o Mercosul "tome a decisão final".

No entanto, ontem à tarde a senadora Lucía Topolanski, mulher do presidente Mujica, acrescentou mais confusão à situação ao sustentar que o Parlamento uruguaio "aprovou há muito tempo a entrada da Venezuela no Mercosul". Segundo ela, o governo continuará nessa linha. 

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