Vice venezuelano faz relato otimista a Lula

O vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, vai tentar convencer o presidente Luís Inácio Lula da Silva, a quem fará uma visita de cortesia de meia hora hoje à tarde em Brasília, que a situação política venezuelana entrou na rotina da normalidade. Esse mesmo discurso será transmitido ao ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, e ao vice-presidente José Alencar durante um almoço no Itamaraty. Mas a situação na Venezuela não é como Rangel tentará pintar. A oposição ao governo venezuelano quer ainda a renúncia do presidente Hugo Chávez, que não está sabendo, de acordo com esses grupos, conduzir o processo de normalização democrática no país depois de ter enfrentado uma greve geral de mais de dois meses entre dezembro do ano passado e janeiro deste. Chávez iniciou uma espécie de caça às bruxas ao final de fevereiro ao prender vários líderes da greve geral, entre eles Carlos Fernández, que acabou pedindo asilo político na Costa Rica.Desde o dia 13 de março, Ortega se encontra na embaixada desse país centro-americano à espera de uma salvo-conduto para deixar o país, já que foi classificado por Chávez como "delinqüente". Outro que se encontra sob prisão domiciliar é Carlos Fernández, ex-gerente de petróleos da Petróleos de Venezuela (PDVSA), sob acusação de "instigar à delinqüência e à rebelião civil". Ortega e Fernández foram os principais porta-vozes dos grupos que paralisaram um país por mais de dois meses, provocando perdas superiores a US$ 5 bilhões, escassez de produtos alimentícios e uma queda brutal de produção de petróleo. Muitas vezes, certamente abusando da situação, Ortega e Fernández chamaram Chávez de "ladrão, assassino e ditador" por meio dos canais de TV privados do país. Rangel vai tentar ainda convencer o governo brasileiro de que a Venezuela tem sim uma saída eleitoral para a crise política, social e institucional. Uma delas seria o referendo revogatório, marcado para agosto, no qual a população dirá se quer ou não a continuidade do presidente no poder. Mas os partidos de oposição temem que Chávez se candidate de novo à presidência caso receba uma rotunda rejeição no referendo revogatório. Os líderes políticos afiram que não se trata de um assunto de natureza política mas jurídica de que Chávez possa ou não participar de novo como candidato à presidência da Venezuela. Apesar disso, a oposição afirma não temer sua candidatura, já que teria perdido grande parte do apoio popular.Fica claro, com toda essa situação ainda delicada, que Chávez quer maior apoio do Brasil e de outros países sul-americanos para seus planos de continuar no poder. O Brasil é membro do Grupo de Amigos para Venezuela, junto com Chile, México, Estados Unidos, Portugal e Espanha.

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