Vices também fazem confronto de gerações

Enquanto Sarah é jovem como Obama, Biden é experiente como McCain

AP, Dayton, EUA, O Estadao de S.Paulo

30 de agosto de 2008 | 00h00

A escolha de Sarah Palin - governadora desconhecida de um Estado ainda mais obscuro - para companheira de chapa foi um risco assumido pelo candidato republicano, John McCain, que conseguiu ontem dois feitos com a indicação surpreendente: monopolizar as atenções da mídia, que parou de falar do discurso apoteótico do candidato democrata, Barack Obama, na quinta-feira, e traçou um contraste claro com o vice do rival, o senador Joe Biden. Desde que a disputa se definiu entre McCain e Obama, a eleição americana converteu-se num conflito de gerações. Aos 72 anos, o republicano se tornaria o presidente mais velho da história dos EUA. Obama, aos 47, seria um dos mais jovens. Assim, as duas campanhas desdobraram-se para escolher vices que complementassem seus perfis. Por isso, analistas afirmam que Sarah e Biden são o avesso de McCain e Obama.Com a escolha de Sarah, McCain atinge os democratas em várias frentes. A primeira, diz respeito às eleitoras de Hillary Clinton, ainda insatisfeitas com o resultado das primárias democratas e com o fato de Obama não tê-la indicado a vice - a própria Sarah colocou-se ontem como sucessora de Hillary.Outra, é a indicação de uma jovem de 44 anos - 3 a menos que Obama. Segundo analistas, ela daria mais dinamismo à chapa e serviria de contraponto à idade de McCain. A pouca idade, no entanto, é uma faca de dois gumes.A primeira reação dos democratas foi denunciar o currículo político curto de Sarah, que contrastaria com os anos de experiência de Biden, principalmente em política externa. No entanto, para alguns especialistas, a campanha de Obama pode ter dificuldades em atacar a inexperiência da governadora, considerando a curta trajetória política do próprio democrata.Seguindo uma lógica parecida, será mais difícil para McCain atacar Obama pelo mesmo motivo e, ainda mais complicado, convencer os americanos de que uma jovem de 44 anos, com apenas dois anos de experiência executiva, assumirá o comando do país mais poderoso do mundo no caso de uma eventual ausência de McCain.Em favor de Sarah conta o fato de ela não ser uma figura comum nos bastidores da política de Washington, o que também a aproximaria de Obama. Biden, ao contrário, é um velho conhecido do Congresso. Senador há 25 anos, como McCain, ele é um especialista em política externa e um orador agressivo.A hostilidade e os ataques de Biden poderiam, segundo alguns analistas republicanos, perder o efeito diante de uma mulher como Sarah. Ou, segundo especialistas democratas, Sarah seria devorada por Biden no debate entre os candidatos a vice, marcado para 2 de outubro em Saint Louis.O único ponto comum entre Sarah e Biden é o fato de a escolha não ter nenhum grande impacto no mapa eleitoral. Biden é de Delaware, Estado com três votos no colégio eleitoral onde os democratas venceriam de qualquer modo. Sarah é do Alasca, que tem os mesmos três votos, onde os republicanos jamais perderam uma eleição presidencial.

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