Vidme via AP
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Vídeo de tortura contra branco reabre discussão sobre racismo nos EUA

Imagem divulgada no Facebook mostra quatro negros agredindo jovem com deficiência e insultado Trump

O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2017 | 19h40

CHICAGO, EUA  - A polícia de Chicago prendeu nesta quinta-feira, 5, quatro negros e os indiciou por crimes de ódio depois da divulgação de um vídeo ao vivo pelo Facebook no qual eles torturam um jovem branco com deficiência. 

Na gravação, a vítima aparece amarrada e amordaçada e é golpeada por três rapazes de 18 anos, que insultam e xingam o presidente eleito Donald Trump e a população branca. A cena toda é filmada por uma mulher de 24 anos. “F... Donald Trump. F... pessoas brancas!”, gritam eles.

Logo após o vídeo se tornar viral, comentaristas na internet e na TV qualificaram o caso de crime de ódio. Os comentários online sobre o ataque também passaram a ser acompanhados da hashtag #BLMKidnapping, ligando o caso ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), de mobilização nacional contra violência policial contra negros. Mas autoridades informaram não haver qualquer evidência que associe o caso a esse ou outros grupos.

Segundo a polícia, as imagens configuram crime de ódio. “O que faz com que as pessoas tratem alguém assim?”, disse o superintendente da polícia de Chicago, Eddie Johnson.

A vítima, de aproximadamente 18 anos, ficou refém dos agressores por 48 horas antes da transmissão do vídeo ao vivo, na terça-feira. A gravação de 30 minutos mostra os agressores cortando a roupa da vítima, jogando cinza de cigarros nela, atingindo sua cabeça com um pé e cortando parte de seu couro cabeludo com uma faca. 

O grupo também pede ao jovem que insulte Trump e o obriga a beber água de um vaso sanitário. O jovem agredido, cujo desaparecimento foi denunciado na segunda-feira por seus pais, foi encontrado vagando pela rua na noite de terça-feira e levado a um hospital, de onde já recebeu alta. 

O incidente ocorreu no momento em que Chicago bate o recorde de violência. No ano passado, a cidade registrou 762 homicídios, a mais alta taxa em 20 anos. / EFE e W. POST 

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