Reprodução
Reprodução

Vídeo feito pela Polícia Federal argentina põe em xeque perícia da morte de Nisman

Especialistas apontam sucessão de erros no trabalho dos investigadores; promotora do caso diz que procedimento 'foi normal'

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2015 | 15h13

BUENOS AIRES - Um vídeo da Polícia Federal argentina divulgado na noite de domingo, 31, no programa Periodismo Para Todos, de Jorge Lanata, mostra pela primeira vez o trabalho dos peritos no apartamento do promotor Alberto Nisman, encontrado morto no banheiro de seu apartamento com um tiro na cabeça em 18 de janeiro.

Especialistas apontam erros no trabalho de investigadores e na presença de pessoas não envolvidas no trabalho. A promotora Viviana Fein, encarregada da investigação, sustentou que o procedimento foi normal "para um caso dessa dimensão".

As imagens mostram um perito com luvas manipulando a pistola calibre 22 com um lado coberto de sangue e o outro, que ficou sob as costas de Nisman, limpo. Ele remove o sangue da arma com papel higiênico, para identificar a pistola. Ao retirar o carregador da pistola, toca cada uma das balas com a luva ensanguentada.

"Esse para mim foi o principal erro. Cada bala é empurrada com o polegar e todos os cartuchos foram tirados com luvas manchadas de sangue. Era um procedimento básico trocar de luvas", disse a professora de balística Cristina Vázquez, do Instituto Pericial de Ciências Forenses. 

Depois de retiradas as balas, cujas digitais poderiam mostrar quem carregou o revólver, elas foram colocadas sobre o bidê do banheiro. Isso explicaria porque manchas de sangue foram encontradas na peça. "A mãe de Nisman não poderia estar no local mexendo em documentos", acrescentou Cristina.

Outro especialista, Ernesto Duronto, vice-presidente da Associação de Peritos Médicos de Buenos Aires, disse que ter "40 pessoas no local" torna impossível que qualquer pista aproveitável tenha sido encontrada nas duas inspeções feitas meses depois no apartamento. "Se eu fosse apresentar a meus alunos um vídeo de tudo o que não deve ser feito em uma perícia, seria esse. Limpar a arma com papel higiênico é um erro básico", resumiu Doronto ao canal TN.

A promotora Fein disse que divulgação do vídeo "não a afeta". "A manipulação da arma é normal. Depois foi guardada em uma embalagem vedada", afirmou à Rádio La Red, assegurando que o procedimento de limpeza com papel era essencial para se assegurar da numeração. Ela prometeu dar em no máximo 30 dias uma resposta para o caso. 

Nisman havia denunciado a presidente Cristina Kirchner quatro dias antes por acobertar iranianos acusados do atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), que matou 85 em 1994. Sua denúncia foi arquivada.

Tudo o que sabemos sobre:
ArgentinaAlberto Nisman

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.