Vídeo mostra que Benazir cai antes de explosão no Paquistão

Oposição quer que ONU investigue o assassinato da ex-premiê e exige renúncia de Musharraf antes das eleições

Agências internacionais,

03 de janeiro de 2008 | 11h20

Uma nova gravação divulgada pela CNN nesta quinta-feira, 3, mostra que a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, assassinada no último dia 27 de dezembro, cai antes do atentado suicida que aprofundou a crise política do país e adiou as eleições parlamentares para o dia 18 de fevereiro. Oposicionistas pedem que novas investigações sejam conduzidar pela ONU, mas os EUA rejeitam a hipótese.  Veja também:Vídeo no site da CNN  Vídeo e análise com Roberto Godoy Imagens Cronologia: A trajetória de Benazir Blog do Guterman: Guerra civil à vista  EUA rejeitam investigação da ONU sobre assassinato de Benazir Líderes oposicionistas e um grupo de estudos independente afirmou nesta quinta que o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, que conta com o apoio dos Estados Unidos, tem de renunciar antes das eleições parlamentares de fevereiro ou o país corre o risco de afundar numa guerra civil. Um suicida a atingiu com disparos e depois se explodiu, aprofundando a crise política paquistanesa. O governo tem sido criticado pela precária segurança oferecida a Benazir, que denunciava que elementos do partido governista queriam assassiná-la. O partido nega que tenha envolvimento no complô. O presidente Musharraf anunciou ainda que a polícia britânica Scotland Yard irá ajudar na investigação do assassinato. A oposição, entretanto, quer que a investigação seja promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e exigiu a renúncia de Musharraf, um ex-comandante das Forças Armadas que ascendeu ao poder num golpe em 1999. "Eleições livres e justas são impossíveis sob sua liderança", afirmou Javed Hashmi, integrante do partido oposicionista do ex-premier Nawaz Sharif. Num relatório sobre a morte de Benazir, o Grupo de Crises Internacionais, baseado em Bruxelas, pediu aos Estados Unidos para reconhecerem que Musharraf é "um grande peso, visto como cúmplice no assassinato" de Bhutto. "Chegou o momento de reconhecer que é a democracia, e não um general amplamente desprezado, artificialmente alçado, despido de mando, a melhor chance para oferecer estabilidade", disse num comunicado o diretor do grupo para a Ásia, Robert Templer. "A menos que Musharraf renuncie, as tensões irão piorar e a comunidade internacional poderá enfrentar o pesadelo de um país muçulmano com armas nucleares afundando numa guerra civil". O Partido Popular do Paquistão (PPP), que era liderado pela ex-premiê assassinada, prepara um pedido formal à ONU que incluirá os vídeos e as declarações do governo a respeito do assassinato de Benazir Bhutto, a fim de convencer a organização a abrir uma investigação internacional. "A principal razão pela qual recorremos às Nações Unidas é que não confiamos no governo", disse o advogado Farooq Naek ao jornal paquistanês The News. Um painel de três membros do partido da líder opositora, assassinada em 27 de dezembro em um atentado, terminou o projeto da demanda, que contém também o e-mail que Bhutto enviou a um jornalista meses antes de sua morte, no qual responsabilizava o presidente Pervez Musharraf pelo que pudesse lhe ocorrer. Em seu pedido, os membros do PPP tomaram como modelo a investigação internacional ordenada a respeito do assassinato do político libanês Rafik Hariri. "Os advogados do PPP tentarão incluir todos os documentos possíveis com relação ao assassinato de Benazir para convencer o secretário-geral da ONU (Ban Ki-moon) a ordenar uma investigação internacional independente sobre a tragédia de 27 de dezembro", acrescentou. No entanto, o porta-voz do Ministério de Exteriores paquistanês Mohammed Sadiq rejeitou o modelo de investigação proposto pelos correligionários de Bhutto, dizendo que as circunstâncias no Líbano e no Paquistão são diferentes.

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