Vídeo mostra suposta fraude em eleições italianas na Oceania

Partido do primeiro-ministro italiano teria sido ´beneficiado´, diz ex-candidato

Efe

11 Julho 2007 | 15h25

Um vídeo gravado com um telefone celular revela uma suposta fraude eleitoral nas eleições gerais da Itália de maio de 2006, ao mostrar uma pessoa preenchendo dezenas de cédulas destinadas aos italianos residentes na Austrália e beneficiando a coalizão de centro-esquerda A União. A gravação foi feita por Paolo Rajo, candidato na Oceania do partido Udeur, que pertence à coalizão de centro-esquerda. Rajo explicou, em declarações à imprensa italiana, que foi levado a uma garagem em Sydney, onde um jovem estava preenchendo dezenas de cédulas eleitorais a favor dos candidatos de centro-esquerda. No vídeo, de dois minutos e meio, aparece a mão de um jovem que escreve o nome de um candidato em pelo menos 100 cédulas. Depois os envelopes são fechados e preparados para ser enviados ao consulado italiano. O candidato, que não foi eleito, acrescenta que decidiu avisar à imprensa um ano e meio depois das eleições porque seu partido não fez nada, apesar de ele ter denunciado a suposta fraude. ´Fraude´ O vídeo fez ressurgirem as denúncias de supostas fraudes, sobretudo no exterior, nas eleições gerais, que A União venceu por uma margem estreita. O líder da bancada do partido conservador Aliança Nacional, Ignazio La Russa, afirmou que o vídeo "é a confirmação de que não eram invenções as denúncias de irregularidades que chegavam de várias partes do mundo". O coordenador do Forza Itália, Sandro Bondi, acrescentou que é a "enésima prova de que o voto no estrangeiro foi caracterizado pelas fraudes e deveria ter sido cancelado". O voto dos italianos no exterior foi fundamental para a vitória no Senado da coalizão de centro-esquerda, liderada por Romano Prodi. A União conseguiu cinco dos seis senadores eleitos pelos emigrantes italianos. O senador Nino Randazzo, eleito na Austrália, tacha o vídeo de "uma mentira clamorosa", que foi contada "só um ano depois e por um candidato que recebeu poucas centenas de votos". Randazzo acrescentou que qualquer pode fazer cópias de uma cédula e dizer que elas são verdadeiras. Mas em nenhum momento do vídeo aparece o documento com os dados pessoais, que cada eleitor tem que incluir no envelope e que garante a validade do voto pelo correio, argumentou.

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