Vídeo mostra Uribe em aperto de mão com líder paramilitar

Imagens de 2001 mostram Uribe junto de um paramilitar acusado por assassinantos

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 09h48

Em seus cinco anos à frente do governo colombiano, o presidente Alvaro Uribe sempre negou as acusações de que teria um relacionamento por demais cordial com milícias paramilitares acusadas de graves violações de direitos humanos. Mas um vídeo recém-divulgado da campanha eleitoral de 2001 mostra Uribe num aperto de mão com um líder miliciano, preso semanas mais tarde por envolvimento em assassinatos e que, hoje, é um fugitivo procurado. O vídeo, mostrando Uribe junto a líderes da cidade de Barrancabermeja, é mais recente dor-de-cabeça para o presidente, que já vê seus aliados serem presos por colaboração com as milícias. "Nunca conheci os paramilitares, nunca fui amigo deles, não tive contato com eles", declarou Uribe em rede nacional de televisão, em 19 de abril. O chefe paramilitar que aparece no vídeo, datado de 31 de outubro de 2001, foi identificado por três pessoas que o conhecem - incluindo ativistas de direitos humanos - como Fremio Sanchez Carreno, ou "Comandante Esteban", que na época havia terminado de chefiar a tomada violenta desta cidade. A reportagem da Associated Press obteve uma cópia do vídeo e, para checar sua autenticidade, viajou até Barrancabermeja, onde ativistas de direitos humanos identificaram a pessoa com Uribe como o Comandante Esteban, que havia assinado cartas ameaçando defensores dos direitos humanos e sindicalistas, poucos dias antes do encontro. Os ativistas pediram para não ser identificados, porque as milícias ainda são fortes na região. O vídeo não mostra Uribe conversando com Sanchez, mas a imagem dos dois juntos, em um encontro privado, aprofunda a participação do presidente no escândalo dos supostos laços do governo com os paramilitares. Uribe é o maior aliado do presidente dos EUA, George W. Bush, na América Latina, mas a suspeita de envolvimento com as milícias já leva a oposição no Congresso americano a propor cortes na ajuda militar à Colômbia. Na última sexta-feira, 15, autoridades colombianas ofereceram uma recompensa de US$ 5.000 (cerca de R$ 10.000) pela captura de Sanchez, acusado de homicídio e de chefiar uma organização criminosa. Assessores do presidente, por sua vez, dizem que não se pode esperar que Uribe saiba quem são todas as pessoas com quem se depara. "O presidente não tem nada a ver com os possíveis atos criminosos de pessoas que, por uma razão ou outra, aparecem nos milhões de fotos e horas de vídeo de seus mais de 33 anos de vida pública", diz nota emitida por um porta-voz. Mas grupos de direitos humanos afirmam que Uribe deveria saber que os líderes locais que aparecem no vídeo tinham de ser os responsáveis pelo exército de foras-da-lei que havia acabado de tomar a cidade onde o encontro teve lugar.

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