Vídeo no YouTube reacende tensão entre China eTibete

Imagens divulgadas por governo tibetano mostram monges sendo agredidos; China diz que vídeo é 'montagem'

Marina Wentzel, BBC

25 de março de 2009 | 11h48

  Autoridades do Partido Comunista afirmaram que um vídeo mostrando tibetanos sendo abusados por forças chinesas é "uma mentira". O vídeo divulgado na semana passada pelo governo tibetano no exílio mostra cidadãos tibetanos sendo amarrados e agredidos, mesmo quando já estão imobilizados e foi disponibilizado pelos militantes pró-independência no YouTube. Os censores chineses bloquearam o acesso ao site no país logo depois disso, levantando especulações de que o vídeo seria a causa do bloqueio.

 

 

De acordo com os representantes do dalai-lama, as imagens foram feitas em março do ano passado durante os confrontos entre a população e forças do governo. Mas um oficial do partido comunista no Tibete, que não teve o nome divulgado, disse à agencia de notícias estatal Xinhua que o trecho de 47 segundos teria sido "fabricado" através da edição de diferentes vozes e imagens, disse.

As imagens "confirmam nossos maiores medos a respeito da horrível dor e sofrimento que tibetanos experimentaram nas mãos das autoridades chinesas em meio ao levante do ano passado", disse Lhadon Tethong, diretor executivo da organização pró-independência Estudantes por um Tibete Livre em um comunicado veiculado à imprensa.

A autenticidade do vídeo não tem como ser verificada independentemente. O governo chinês não concede vistos ao Tibete para jornalistas estrangeiros interessados em cobrir a situação política da região.  No entanto, de acordo com o governo tibetano no exílio, as imagens são genuínas e "mostram claramente a agressão de tibetanos detidos, mesmo depois de eles estarem algemados e amarrados, uma violação das normas internacionais", disse Tseten Samdup Chhoekyapa, representante do dalai-lama.

O suposto oficial do partido comunista citado pela Xinhua afirmou que o vídeo é uma montagem. "Especialistas em tecnologia descobriram que o vídeo foi editado de lugares diferente, épocas diferentes e pessoas diferentes", afirmou.

Segundo o governo tibetano no exílio, as imagens mostram também um tibetano chamado Tendar, que teria morrido em março de 2008 em decorrência de ferimentos causados por uma surra que recebera das forças leais a Pequim. Os aliados do dalai-lama disseram que Tendar teria sido morto ao tentar impedir que um policial agredisse um monge manifestante.  A autoridade entrevistada pela Xinhua refuta essa versão e diz que Tendar "morreu em casa de uma doença enquanto aguardava julgamento".

 

O tibetano também teria agredido um policial com uma faca e o homem que aparece no vídeo seria uma outra pessoa, cujos ferimentos seriam falsos, afirmou o oficial do partido comunista. Durante os protestos em março do ano passado, o governo fechou as fronteiras do Tibete e não admitiu jornalistas estrangeiros na região, embora tenha permitido que alguns correspondentes que já estavam em Lhasa permanecessem na capital.

Na ocasião foram divulgadas somente imagens dos confrontos nas quais tibetanos agrediam as tropas leais a Pequim. Não havia imagens de soldados usando a força para conter os manifestantes. O governo chinês disse que os confrontos causaram a morte de cerca de 20 pessoas. Todas as vítimas seriam da etnia Han e teriam sido mortas pelos manifestantes tibetanos. O governo tibetano no exílio, no entanto, afirma que pelo menos 220 pessoas morreram e 1300 ficaram feridos ou foram detidos. Por não ter acesso ao Tibete, a imprensa internacional não teve como verificar independentemente esses números.

 

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