Jim Young/Reuters
Jim Young/Reuters

Vídeo polêmico de Romney afeta imagem de republicano, diz pesquisa

Episódio, porém, pode não ser decisivo no resultado da eleição, segundo analistas

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2012 | 03h08

NOVA YORK - O candidato republicano à Casa Branca, Mitt Romney, decidiu deixar a defensiva e partiu para o ataque na quarta-feira, 19, tentando conter os prejuízos causados pelo vazamento de um vídeo no qual ele despreza "47% dos americanos que vivem de assistencialismo". Uma pesquisa divulgada ontem indica que o episódio prejudicou a imagem do republicano, mas pode não ser decisivo nas urnas, em novembro.

 

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Segundo enquete da agência Reuters e do instituto Ipsos, 43% dos eleitores americanos veem Romney de modo mais desfavorável após o vídeo ter sido divulgado. Seis em cada dez pessoas acreditam que os comentários do republicano, feitos a doadores milionários da Flórida, foram "injustos". De acordo com analistas do Instituto Ipsos, porém, os efeitos do episódio podem ser diluídos em meio à campanha e provavelmente não serão um fator determinante na orientação do voto, em novembro.

Romney partiu para o contra-ataque ontem e acusou o presidente Barack Obama de ampliar a dependência do Estado de setores da sociedade americana. Tanto o candidato quanto seu vice, Paul Ryan, deram declaração insistindo nesse ponto e a campanha republicana usou um vídeo de Obama defendendo a "redistribuição de renda" em uma entrevista concedida 14 anos atrás.

'Riqueza para todos'

 

"Ele realmente acredita em uma sociedade ao redor do governo. Eu sei que algumas pessoas acham que se você tira de alguns e dá para outros, então todos estarão melhores. Isso se chama redistribuição. Mas essa nunca foi uma característica dos EUA. Acredito que a melhor maneira de ajudar as pessoas a terem mais não é tirar de um e dar para outros. O melhor é criar riqueza para todos nós", afirmou Romney ontem, deixando de lado as explicações sobre o vídeo.

Seu candidato a vice afirmou que os republicanos vão "promover o trabalho duro e a responsabilidade individual em vez da dependência do governo". "O presidente Obama acredita na redistribuição", acrescentou Ryan. O vídeo apresentado pelos republicanos é de um evento realizado em 1998 no qual Obama disse: "Realmente acredito na redistribuição, pelo menos até um certo ponto, para garantir que todos tenham uma oportunidade". A campanha do democrata respondeu às afirmações dos adversários dizendo que, na verdade, "Romney pretende levar adiante uma redistribuição, mas tirando da classe média por meio de impostos, e passando para os mais ricos".

Segundo pesquisa do Instituto Gallup divulgada ontem, 29% dos eleitores independentes disseram que as declarações de Romney os deixaram menos propensos a votar nele para presidente. Outros 15% disseram que o vídeo no qual ele diz não se importar com não pagadores de imposto de renda os deixou mais convictos na escolha do republicano. Entre os republicanos, porém, o apoio às declarações é 11 vezes maior do que o dos que se opuseram.

Negativo

 

Na avaliação do Instituto Gallup, "o impacto imediato dos comentários de Romney aparentemente é mais negativo do que positivo, indicando que afetaram as chances de Romney vencer a eleição. Mas o impacto de longo prazo no calor da campanha é difícil de determinar". Em análise enviada a bancos e fundos de investimento, a consultoria de risco político Eurasia afirma que a chance de Obama vencer é de dois para um, similar ao resultado de ontem nas bolsas de apostas em Londres.

 

Segundo o analista Sean West, "Obama está consolidando a sua vantagem na luta pela reeleição". Por outro lado, "uma série de oportunidades perdidas de seu rival, Romney, torna tentador dizer que o presidente será vencedor. Mas ainda é cedo. Romney ainda pode vencer, embora suas chances estejam diminuindo".

Segundo levantamento da Associated Press, os dois estão empatados tecnicamente. Também dentro da margem de erro, Wall Street Journal, que em seus editoriais costuma apoiar Romney, publicou pesquisa ontem colocando Obama 5 pontos porcentuais à frente.

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