Lionel Bonaventure/AFP
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Vídeo sexual divulgado por ativista derruba candidato de Macron

Benjamin Griveaux, que disputaria prefeitura de Paris, retirou a candidatura nesta sexta-feira, 14

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2020 | 20h04

PARIS - O candidato a prefeito de Paris pelo partido do presidente Emmanuel Macron, Benjamin Griveaux, anunciou na manhã desta sexta-feira, 14, em comunicado gravado, a retirada de sua candidatura com a intenção de “proteger” sua família, após o vazamento de um vídeo pornográfico.

Griveaux, de 42 anos, eleito deputado em 2017 e ex-porta-voz do governo francês, aparecia em terceiro lugar nas pesquisas. Ele não é apenas do partido República em Marcha de Macron, mas um político de sua confiança. O deputado era visto como uma tentativa do presidente francês de ganhar força em Paris, por causa dos embates com sindicalistas e funcionários públicos, contrários à reforma da previdência. 

A decisão de abandonar a corrida eleitoral foi tomada 48 horas após a divulgação do vídeo e a apenas um mês das votações municipais, previstas para 15 de março, com possibilidade de segundo turno no dia 22 do mesmo mês. 

As imagens, que viralizaram nas redes sociais, foram reveladas por um site misterioso, intitulado “Pornô Político” e criado pelo ativista russo Piotr Pavlenski, que reside na França desde 2017. Na gravação, há mensagens endereçadas a uma mulher afirmando que elas eram do porta-voz do governo. 

“Um site e redes sociais transmitiram ataques infames que questionam minha vida privada. Minha família não merece isso”, defendeu-se Griveaux. O político ainda afirmou que não estava disposto a “expor mais sua família e a si mesmo quando todos os golpes forem permitidos”.

“Por mais de um ano, minha família e eu fomos sujeitos a comentários difamatórios, mentiras, rumores, ataques anônimos, a revelação de conversas privadas roubadas e ameaças de morte. Como se tudo isso não bastasse, ontem foi alcançado um novo nível”, disse ele.

A divulgação do vídeo abriu o debate na mídia francesa sobre a “americanização” das eleições municipais na França, em referência aos escândalos sexuais que já abalaram as urnas nos Estados Unidos. Tradicionalmente, os franceses não costumam levar em conta a vida íntima de seus candidatos, mas isso vem mudando com as redes sociais. 

Segundo o jornal britânico The Guardian, Griveaux recebeu apoio de vários políticos, incluindo o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, e também de ferrenhos oponentes. “A publicação de imagens íntimas para destruir um adversário é odiosa”, disse o líder esquerdista Jean-Luc Mélenchon.

O excêntrico russo no centro da polêmica

No epicentro da disputa das eleições municipais de Paris está o polêmico artista e ativista russo Piotr Pavlenski, de 35 anos, responsável pela divulgação do vídeo que derrubou a candidatura de Benjamin Griveaux, da República em Marcha, partido do presidente francês Emmanuel Macron.

Em circunstâncias ainda incertas, Pavlenksi e seu companheiro chegaram à França em janeiro de 2017. Segundo o jornal francês Le Figaro, o artista russo é conhecido por suas performances “tão espetaculares quanto masoquistas” contra o regime do presidente Vladimir Putin

O artista já costurou os lábios em apoio à banda Pussy Riot, condenada pelos tribunais russos; já se enrolou nu em arames farpados; pregou seus testículos em frente ao Mausoléu de Lenin na Praça Vermelha, em Moscou e, em 2014, cortou a orelha em um centro psiquiátrico.

Em entrevista ao jornal Libération, Pavlenksi declarou que publicou o vídeo contra Griveaux em seu site por se tratar de uma pessoa “que diz que quer ser prefeito de famílias e sempre cita sua mulher e filhos como exemplo, mas faz exatamente o oposto”. / AFP

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