Vídeo sugere farsa em ''complô'' contra Evo

Imagem mostra funcionário pagando US$ 31,5 mil a testemunha que acusava opositores após morte de 3 supostos mercenários em Santa Cruz

, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

Um vídeo divulgado amplamente por canais privados da televisão boliviana pode trazer uma reviravolta ao caso de um suposto complô para assassinar o presidente Evo Morales em abril de 2009.

As imagens mostram Ignacio Villa, conhecido como El Viejo e considerado testemunha-chave do caso, recebendo US$ 31,5 mil de Carlos Nuñez del Prado, que trabalhava no Ministério do Interior na época em que o governo boliviano denunciou a ação. Nuñez del Prado atuava na Defensoria do Povo, em La Paz, antes de desaparecer, na sexta-feira, após a divulgação do vídeo.

Líderes da oposição afirmaram que a quantia foi paga pelo governo de Evo - que, depois de uma ação policial que resultou na morte de três supostos mercenários, acusou os suspeitos de integrar uma ação separatista do Departamento (Estado) de Santa Cruz (mais informações nesta página).

Durante as investigações, declarações de Villa envolveram diversos políticos e empresários da região.

Segundo opositores e analistas, o suposto complô para o assassinato do presidente foi montado pela inteligência do governo boliviano, com ajuda de Havana e Caracas, para abalar politicamente os líderes autonomistas de Santa Cruz - departamento mais rico da Bolívia.

Uma fonte ligada ao caso passou essa versão dos fatos à Embaixada dos EUA, dizendo os nomes dos militares envolvidos, de acordo com um telegrama diplomático divulgado pelo WikiLeaks no fim de dezembro.

"Esse é seu último dinheiro", diz a pessoa identificada como Nuñez a Villa, afirmando que ele teria de fugir para a Argentina para não ser preso.

Villa também é considerado desaparecido. A Defensoria do Povo está à procura de Nuñez, que se demitiu às pressas e, segundo emissoras de televisão privadas da Bolívia, teria fugido para a Venezuela.

Evo afirmou à agência estatal de notícias ABI que o vídeo "tem de ser investigado". "Pode ser verdadeiro, ou não", disse o presidente. Seu vice, Álvaro García Linera, afirmou ontem que a Justiça boliviana investiga a procedência "e o que está por trás" do vídeo. Os promotores anunciaram que chamarão o jornalista John Arandia, que divulgou o vídeo e disse ter recebido as imagens de uma fonte anônima.

Há cerca de seis meses, o governo brasileiro concedeu asilo político ao juiz Luis Tapia Pachi, que denunciava a suposta conspiração de La Paz contra a oposição. / AFP e EFE

PARA LEMBRAR

Em abril de 2009, policiais bolivianos mataram três estrangeiros em um hotel de Santa Cruz, apontados como mercenários contratados para assassinar o presidente Evo Morales. Eram eles: Eduardo Rózsa, de nacionalidade boliviana, croata e húngara, o húngaro-croata Arpád Magyarosi e o irlandês Michel Dwyer. As suspeitas recaíram sobre opositores de Evo, que lutam para obter a autonomia da região.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.