Vídeos com alerta sobre Katrina geram tempestade política nos EUA

As últimas revelações de que a alta cúpula da Casa Branca sabia das desastrosas conseqüências que o furacão Katrina causaria sobre Nova Orleans provocaram uma nova tempestade política em Washington. A polêmica surgiu depois da divulgação de dois vídeos que provariam que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tinha sido avisado sobre as ameaças do furacão, e que houve incerteza, incoerência e falta de coordenação entre as autoridades locais, estaduais e Federais. O segundo e, por enquanto, último vídeo divulgado mostra a governadora da Louisiana, Kathleen Blanco. Poucas horas depois de o Katrina atingir a costa do Golfo do México, ela garante que os diques de Nova Orleans estavam agüentando a tempestade."Continuamos recebendo informações de que em alguns pontos a água está ultrapassando os diques. Ouvimos um relato não confirmado, creio, de que os diques não se romperam", comunicou a governadora, em tom inseguro, a oficiais federais no dia do desastre. Nesse mesmo dia, o Serviço Nacional de Meteorologia tinha confirmado a ruptura de um dos diques e emitido um alerta de inundação súbita, de acordo com uma apuração dos acontecimentos por parte da Casa Branca. Vários congressistas, inclusive alguns republicanos, consideram que essas são provas mais que suficientes para que se abra uma investigação minuciosa e independente sobre o fato, similar à que foi empreendida após os atentados de 11 de setembro de 2001. O ex-diretor da Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema) Michael Brown engrossou o coro das críticas, afirmando que as equipes de emergência federais deveriam ter chegado antes, independentemente de os diques estarem rompidos ou não. Após ter reconhecido seus erros e pedido desculpas, o ex-responsável da Fema disse hoje que o povo americano deveria pedir aos seus representantes que deixem de ser tão partidários e que investiguem a verdade e que, na sua opinião, o presidente Bush pecou por "excesso de confiança" na Fema. Para Brown, o secretário de Segurança Nacional, Michael Chertoff, deveria ter sido demitido por sua má gestão do caso. A Casa Branca rebateu os argumentos de Brown através do porta-voz Trent Duffy, que afirmou hoje que Bush sabia que o furacão era muito perigoso e por isso "tomou as medidas extraordinárias que tomou". Duffy explicou em declarações à rede de televisão CNN que o presidente ordenou que se preparassem mais recursos humanos e materiais do que nunca, ainda que, no fim, "não tenha sido suficiente". O Departamento de Segurança Nacional confirmou que há mais vídeos - embora tenha deixado claro que não vai divulgá-los - com as teleconferências realizadas dias antes e após 29 de agosto, dia em que o Katrina devastou grande parte do litoral do Golfo do México, deixando atrás de si um trágico saldo de 1.300 mortos.

Agencia Estado,

03 Março 2006 | 19h57

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