Hama Revolution/Divulgação/AP
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Vídeos mostram vítimas de massacre ocorrido na Síria

Violência aumenta dúvidas sobre intensos esforços de paz do enviado internacional Kofi Annan

AE, Agência Estado

13 de julho de 2012 | 09h38

BEIRUTE - Ativistas anti-regime disseram nesta sexta-feira, 13, que forças do governo da Síria bombardearam o vilarejo pobre de Tremseh, região central do país, e capangas armados assinaram civis, no que os rebeldes afirmam ter sido um dos piores dias de violência desde o início da revolta contra o presidente Bashar Assad.

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Os relatos de que mais de 200 pessoas foram assassinadas na quinta-feira não puderam ser confirmados por fontes independentes. Ainda não está claro o que aconteceu em Tremseh e por que as tropas de Assad atacaram o vilarejo isolado. Vídeos amadores mostram os cadáveres de 17 pessoas. Devido ao conteúdo violento das imagens, o estadão.com.br optou por não publicá-las. 

Ativistas locais, que forneceram o número alto de mortes, não informaram uma lista com nomes, dizendo que está sendo compilada.

Mas é certo que a violência aumenta as dúvidas sobre os intensos esforços de paz do enviado internacional Kofi Annan. Ele disse estar "chocado e horrorizado" com os relatos do ataque, criticando o governo sírio por usar armamento pesado em áreas povoadas, uma violação do seu plano de paz.

Por sua vez, governo afirma que 50 pessoas morreram quando suas forças enfrentaram "gangues armadas" que estavam aterrorizando os moradores da aldeia. Um vídeo amador postado na internet no final da quinta-feira, mostra os corpos de 15 homens enfileirados no chão. Alguns estão cobertos de sangue e têm ferimentos na cabeço e no peito. A matança em Tremesh reflete a dificuldade de se conseguir informações confiáveis dos eventos na Síria, país de 22 milhões de habitantes e que está fechado para a maioria dos jornalistas.

As mortes também devem causar mais debates entre as potências mundiais, que ainda permanecem divididas sobre o que deve ser feito para interromper a violência. Todos os esforços anteriores, influindo o plano de paz de Annan, falharam em impedir mais derramamentos de sangue.

O ativista Bassel Darwish conversou com a Associated Press via Skype. Ele disse que o Exército cercou o vilarejo, impedindo as pessoas de fugir, e bombardeou com artilharia, tanques e helicópteros. "Nós vimos os acontecimentos", afirmou ele, contando que estava a poucos quilômetros do local. Após o bombardeio, afirma ele, os soldados entraram junto com integrantes de uma milícia pró-regime, conhecidos como shabiha, que balearam e esfaquearam os moradores nas ruas.

Os rebeldes contabilizam mais de 17 mil mortos desde o início da revolta, em março de 2011, em sua maioria civis.

As informações são da Associated Press.

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