Vieira de Mello continua sob escombros, diz Celso Amorim

O chanceler Celso Amorim informou, por volta de 12h00, antes de entrar na Granja do Torto, que o governo brasileiro tomou conhecimento do atentado terrorista à sede da representação da ONU em Bagdá, "com forte preocupação". O ministro informou que acabara de telefonar para a ONU e que a única notícia que recebera fora a de que Sérgio Vieira de Mello continuava preso nos escombros de seu escritório na capital iraquiana. Também foi informado de que houve uma tentativa de comunicação com Vieira de Mello por celular e que, naquele instante, ele se encontrava consciente. A informação contradiz à prestada pela assessora de Vieira de Mello, em Genebra, de que ele teria sido levado para um hospital.Amorim reiterou que o governo brasileiro condena qualquer ato terrorista, sobretudo aqueles dirigidos a sedes da Organização das Nações Unidas, que é um símbolo da ordem internacional. "Particularmente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está muito preocupado porque não temos todas as informações sobre a situação do nosso compatriota", afirmou Amorim.Vieira de Mello está conscienteAo mesmo tempo, em Nova York, a missão do Brasil junto à ONU informava que Sérgio Vieira de Mello, está soterrado sob os escombros num lugar bastante profundo do que restou do prédio da organização internacional na capital iraquiana. As equipes de resgate conseguiram localizá-lo e estabelecer contato com Vieira de Mello e passaram-lhe água em pelo menos duas ocasiões. Ele está consciente. Há outras três pessoas em condições semelhantes, na mesma área.O veículo-bomba usado no atentado explodiu debaixo da janela do escritório de Viera de Mello, segundo fontes militares americanas ouvidas pelas agências de notícia.O embaixador do Brasil junto à ONU, Ronaldo Sardenberg, que mantém Brasília informada sobre as operações de resgate, enalteceu "a dedicação e a valentia do Sérgio". Sardenberg lembrou que, perguntado sobre a questão da violência e de sua segurança pessoal, em entrevistas que concedeu na semana passada aos jornais O Estado de S.Paulo e ao Jornal do Brasil, Vieira de Mello disse que "Deus é brasileiro" e que confiava na capacidade das diferentes facções com quem têm dialogado em compreender o trabalho de interlocução que estava tentando fazer. Vieira de Mello fez carreira na ONU e não pertence aos quadros do Itamaraty.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.