Vietnã anuncia manobras militares e irrita a China

Hanói denuncia ataque da Marinha chinesa a navio em zona marítima rica em petróleo disputada pelos dois países

, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2011 | 00h00

HANÓI

O governo do Vietnã anunciou ontem que fará exercícios militares navais na costa do país. A medida é o mais novo passo no aumento de tensões de Hanói com Pequim por causa da disputa da fronteira marítima entre os dois países no Mar do Sul da China.

Na quinta-feira, as chancelarias chinesa e vietnamita trocaram comunicados ríspidos. Segundo Hanói, a Marinha da China assediou um navio de vigilância vietnamita.

O governo chinês, por sua vez, exige que o país vizinho interrompa a exploração de petróleo na área em disputa. Os exercícios do Vietnã estão marcados para segunda-feira. Embarcações estrangeiras devem evitar a área.

A disputa pela fronteira marítima no Mar do Sul da China, cuja plataforma continental é rica em petróleo e recursos minerais, envolve também Filipinas, Malásia e Taiwan. Em 2002, esses países assinaram um acordo no qual se comprometiam a evitar confrontos na região.

No ano passado, no entanto, a questão voltou à tona por causa de outro tratado, chancelado pela ONU. O pacto exigia que todos os países com pretensões sobre plataformas continentais listassem suas demandas oficialmente. China e Vietnã registraram uma área maior do que haviam feito no passado.

Nos últimos anos, a Marinha chinesa tem apreendido diversos navios de pesca vietnamitas na área em disputa. Em resposta, o Vietnã costuma enviar embarcações de vigilância para a região.

De acordo com Pequim, os navios vietnamitas perseguem ilegalmente barcos de pesca chineses e a rede de um deles, acidentalmente, danificou o cabo de reboque de uma embarcação. Hanói alega que o dano foi premeditado e um episódio similar teria ocorrido nas últimas semanas. Além disso, o navio estaria dentro das 200 milhas náuticas da costa vietnamita.

A China quer um espaço similar para explorar seu litoral, mas as áreas se sobrepõem. Algumas pequenas ilhas costeiras também são disputadas. A presença na região é um ponto importante para que as negociações avancem. Os países da região também demonstraram desconforto com uma base submarina aberta pela Marinha chinesa na ilha de Hainan e com a crescente presença militar chinesa na região.

Segundo o especialista em segurança Michael Vatikiotis, do Centro de Diálogo Humanitário, de Cingapura, a questão tem se acirrado porque o acordo de 2002 fracassou.

Para o analista americano Mark Valencia, que há anos acompanha a disputa, houve uma radicalização. "Aparentemente, os incidentes entre a China e outros países tem aumentado", disse. "No entanto, isso ocorre porque os chineses têm o poder para isso." / NYT

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