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Vietnã celebra o 40.º aniversário do fim da guerra

Queda de Saigon marcou vitória do Exército do Partido Comunista vietnamita e retirada das forças americanas da região 

O Estado de S. Paulo

30 de abril de 2015 | 11h41


WASHINGTON - Os vietnamitas comemoram nesta quinta-feira, 30, o 40.º aniversário do fim da Guerra do Vietnã, mais precisamente da queda de Saigon - como era chamada a atual Ho Chi Minh -, último capítulo do conflito. Um desfile, com a presença de veteranos da guerra, lembrará a entrada de blindados das forças do Partido Comunista na cidade e cartazes vermelhos foram pendurados com os dizeres "Vida longa ao Glorioso Partido Comunista do Vietnã".

Em 1975, a tomada de Saigon pelos norte-vietnamitas tornou definitiva a derrota dos Estados Unidos, que tiveram 58 mil soldados mortos. A icônica foto de dezenas de pessoas nas escadas da residência do subdiretor da CIA em Saigon esperando para embarcar em um dos últimos helicópteros que deixava a cidade foi o símbolo final da guerra.

A chamada "Operation Frequent Wind" ("Operação Vento Frequente", em tradução livre), a maior retirada já feita em helicópteros, devia começar de maneira ordenada, com um código secreto que estrangeiros e vietnamitas conheciam e com bilhetes de saída do país.

A Rádio das forças americanas tocaria a música "I'm Dreaming of a White Christmas", de Bing Crosby, e esse seria o sinal para o início do êxodo. Alguns dizem que correram ao ritmo dessa música no dia 29 de abril e outros afirmaram que não a escutaram, mas a realidade é que a operação foi um caos.

Em 30 de abril de 1975, colunas do Exército do Vietnã do Norte entraram quase sem resistência em Saigon, enquanto milhares de sul-vietnamitas, que haviam colaborado com os americanos no conflito, buscavam refúgio na embaixada dos EUA.

Os acordos de Paris de 1973, que deram um fim à participação militar americana na luta contra os comunistas de Saigon, e eleição de Gerald Ford como presidente dos EUA - após a saída forçada de Richard Nixon pelo escândalo do Watergate -, fizeram com que Washington mudasse sua política.

O êxodo de vietnamitas marcou o fim de décadas de guerras no sudeste asiático, que começaram com a luta da Indochina pela independência contra os franceses e continuou com o envio de mais de meio milhão de americanos para a Guerra do Vietnã.


Mudança. "O dia mais triste" ou "o abril negro" é como ainda lembram daquela jornada de 1975 muitos vietnamitas que se refugiaram nos EUA.

Em regiões como Orange County (Califórnia), New Orleans (Louisiana) e Falls Church (Virgínia), a bandeira de listras vermelhas sobre um fundo amarelo do extinto Vietnã do Sul, ainda tremula.

A base dos fuzileiros navais em Camp Pendleton (Califórnia) foi o primeiro lar para 50 mil refugiados sul-vietnamitas, muitos que pensaram que o país ficaria dividido como no caso das duas Coreias, mas que se viram obrigados a fugir com a anexação do sul.

Novas relações. Atualmente, os EUA encontraram no Vietnã comunista um parceiro comercial e estratégico frente à emergente China. Em 2013, esse novo momento se consolidou com a visita do presidente vietnamita, Truong Tan Sang, à Casa Branca. / AP e EFE

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