Vietnã repatria à força etnia que se aliou aos EUA

O Exército da Tailândia começou ontem a repatriar, à força, para o Laos cerca de 4 mil refugiados da etnia hmong, pondo fim a três décadas de busca por asilo após a aliança do membros grupo com os Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã (1964-1973).

AE, Agencia Estado

29 de dezembro de 2009 | 08h17

Sob forte protesto da comunidade internacional, milhares de soldados - munidos de equipamentos antidistúrbio e apoiados por forças especiais - retiraram homens, mulheres e crianças que moravam no campo de Huay Nam Khao, a 280 quilômetros de Bangcoc. Os membros da etnia não resistiram e receberam ordens para subir nos caminhões militares que os transportariam até Nong Khai, para depois atravessar de ônibus a ponte do Rio Mekong, na fronteira entre Tailândia e Laos. Segundo o governo tailandês, os hmong são imigrantes ilegais.

Uma parte dos hmong se uniu aos americanos contra os comunistas durante a Guerra do Vietnã, quando o conflito se estendeu aos países vizinhos, pois desejavam um governo pró-EUA em seu país. Muitos temem ser maltratados quando voltarem ao Laos, apesar das garantias de que o governo anistiará os líderes do grupo.

O Laos nega as acusações de perseguição e a diplomacia do país garantiu que o governo criou abrigos temporários para acolhê-los. A operação de ontem fazia parte de um acordo que fixava 31 de dezembro como a data limite para repatriar todos os hmong.

Os EUA pediram ao governo tailandês o cancelamento da repatriação quando a operação já estava em andamento, alegando que a ação representava uma "séria violação" dos direitos humanos. "Os EUA solicitam de forma urgente às autoridades da Tailândia que suspendam a operação", afirmou o Departamento de Estado em uma nota. A União Europeia e a ONU também condenaram a decisão de Bangcoc. A ONG Human Rights Watch qualificou a operação de "apavorante" e um ponto negativo para o governo tailandês. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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