Vigia que matou jovem negro nos EUA é solto sob fiança

Após pagar US$ 150 mil, Zimmerman ficará livre até o julgamento e será monitorado com tornozeleira eletrônica

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2012 | 03h06

O vigia responsável por um dos homicídios mais polêmicos da história recente dos EUA foi libertado ontem de uma prisão da Flórida para responder ao processo em liberdade depois de pagar US$ 150 mil de fiança.

Durante o período em que aguardar o julgamento, o vigia George Zimmerman precisará usar uma tornozeleira com GPS para que a polícia possa monitorar seus passos - o dispositivo é similar ao que o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn usou quando foi acusado de ter estuprado uma camareira em um hotel em Nova York.

A libertação de Zimmerman provocou uma onda de protestos na Flórida e em outros pontos dos EUA. Para a promotoria, o crime teve motivação racial - a defesa nega.

Na noite de 26 de fevereiro, Trayvon Martin, um jovem negro de 17 anos, foi morto pelo hispânico Zimmerman enquanto caminhava em Sanford, na Flórida, onde visitava parentes. Pouco antes dos disparos, ele conversava com a namorada no celular. O vigia argumenta que atirou porque se sentiu ameaçado pelo jovem durante uma discussão entre ambos.

Gravações de conversa do vigia com o 911 (serviço de emergência dos EUA) pouco antes do crime não deixam claro se ele atirou porque o jovem era negro.

Ao deixar a prisão, Zimmerman entrou em um carro acompanhado de outro homem. Ele tem recebido uma série de ameaças de morte desde que matou Martin, há quase três meses. Antes de ser detido, o vigia chegou a ficar desaparecido por algumas semanas. "Seu paradeiro será mantido em segredo", disse o advogado de defesa, Mark O'Mara.

Segundo o advogado Ben Crump, que trabalha para a família da vítima, os pais de Martin lamentaram "profundamente" a libertação de Zimmerman. "Eles ficaram com o coração partido ao saber que o assassino de seu filho foi libertado da prisão. Mas eles esperam que esta libertação seja temporária, pois a dor da família é permanente", disse.

Uma lei da Flórida concede ampla liberdade para as pessoas usarem armas de fogo para se defenderem no perímetro de sua residência e esse tem sido o argumento usado pela defesa de Zimmerman.

O caso ganhou repercussão nacional quando, no início do mês, o presidente Barack Obama disse que, se tivesse um filho, "ele se pareceria com Trayvon Martin".

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