David Manning/Reuters
David Manning/Reuters

Vigilante que matou jovem negro sai da prisão após pagar fiança

George Zimmerman pagou parte da fiança de US$ 150 mil e obedecerá condições do juiz

Efe,

23 de abril de 2012 | 09h39

MIAMI - George Zimmerman, o vigilante voluntário que matou o jovem negro Trayvon Martin nos Estados Unidos, já se encontra em liberdade após ter pagado parte da fiança de US$ 150 mil e ter se comprometido a cumprir o resto das condições exigidas pelo juiz.

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O homem de 28 anos, vestido com uma jaqueta marrom e calça jeans, foi libertado da prisão John E. Polk de Sanford (Flórida) na meia-noite de domingo, 22, para segunda-feira, 23.

Zimmerman saiu andando da prisão e entrou em um automóvel branco sem fazer declarações à imprensa, que estava perante o tribunal desde sexta-feira, quando o juiz Kenneth Lester aceitou que ele deixasse a prisão sob o pagamento de uma fiança de US$ 150 mil.

Embora as autoridades não tenham divulgado mais detalhes, é habitual que os presos tenham que pagar com dinheiro 10% da fiança (neste caso US$ 15 mil), o que costuma ser suficiente como garantia do pagamento do resto do importe.

"Quero dizer que sinto a perda de seu filho. Não sabia que idade ele tinha. Acho que era pouco mais jovem que eu. Também não sabia se ele estava armado ou não", disse Zimmerman, acusado de homicídio em segundo grau, perante os pais de Trayvon na sexta-feira, que estavam na sala durante a audiência na qual foi aprovada sua liberdade.

Foi a primeira desculpa pública do homem após ter disparado contra o adolescente na noite de 26 de fevereiro.

Perante a falta de testemunhas ou provas que demonstrem o contrário, as autoridades locais decidiram não deter Zimmerman porque ele alegou ter atuado em defesa própria.

No entanto, o caso suscitou protestos pelos EUA com críticas a Zimmerman de atuar movido por preconceitos racistas e pela existência de uma lei que ampara o uso da força letal alegando defesa própria.

A pressão pública, que obrigou Zimmerman a permanecer escondido, foi acalmada em grande parte quando no dia 11 de abril a Promotoria decidiu apresentar acusações contra ele, o que levou a sua detenção.

O juiz escutou na sexta-feira os depoimentos de seus familiares e de um dos principais investigadores do caso, e decidiu impor uma fiança para sua libertação.

Antes de sair da prisão, Zimmerman teve que garantir o pagamento da fiança, muito superior aos US$ 15 mil que seu advogado tinha proposto e muito inferior ao mínimo de US$ 1 milhão que a Promotoria pedia.

Além disso, ele teve que se comprometer a cumprir com outras condições impostas pelo juiz, como estar sempre localizado por GPS, não manter contato com a família da vítima, se comunicar com as autoridades a cada três dias, não portar armas de fogo e não consumir remédios ou drogas, salvo por prescrição médica.

Por enquanto, não se sabe onde o acusado residirá à espera do julgamento, e seu paradeiro deve permanecer em segredo, algo que o juiz considera essencial para preservar sua segurança.

Por isso, ele tem permissão para sair do estado da Flórida com o objetivo de reduzir a pressão midiática.

 
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