Vila nasce sobre vala comum

Vila nasce sobre vala comum

Uma cruz negra no vasto descampado de Tatanyan, na periferia de Porto Príncipe, é o único sinal de que sob aquelas terras estão 230 mil corpos recolhidos das ruas da capital dias após o terremoto. A imensa vala comum foi aberta pelos militares brasileiros onde antes havia um lixão, quilômetros distante da cidade, a pedido da ONU, por causa do risco de epidemias e contaminação.

Adriana Carranca, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

Mas aos corpos seguiram milhares de sobreviventes haitianos em busca de identificação de seus parentes ou, simplesmente, para despedir-se dos que se foram - influenciados pelas tradições do vodu, os haitianos consideram os rituais do velório e enterro importantes para ajudar na passagem do espírito até Deus.

Foi assim que 4 mil desabrigados da capital descobriram Titanyan, onde sobreviventes dividem as terras com os mortos. "Há muito espaço aqui e água de um lago, então, toda essa gente foi ficando porque não tem par onde voltar", diz Salia Derrine, de 52 anos. Funcionária do governo, ela trabalhava como faxineira na Universite d`Etat, mas desde o terremoto que derrubou sua casa e colapsou o sistema educacional do país ela não recebe salário. Sem ter onde morar, mudou-se com os filhos Sejour e Remy, de 30 e 35 anos, para junto da cova do marido, morto na tragédia.

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