Villepin cria novo partido para vencer Sarkozy em 2012

Villepin cria novo partido para vencer Sarkozy em 2012

Derrota avassaladora da coligação governista nas eleições francesas de[br]domingo abre espaço para planos do ex-premiê

Andrei Netto, CORRESPONDENTE/PARIS, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2010 | 00h00

Abalado pelo revés nas eleições regionais de domingo, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, já conhece seu primeiro adversário na campanha de 2012: Dominique de Villepin. O ex-premiê anunciou ontem, em Paris, a criação de um novo partido político que disputará a hegemonia de centro-direita com a União por um Movimento Popular (UMP), a federação de partidos que sustenta o atual governo.

A apresentação da nova sigla, cujo nome não está definido, foi feita no vácuo do fracasso do partido de Sarkozy no segundo turno das eleições regionais. A UMP obteve 36,1% dos votos, cedendo o primeiro lugar ao Partido Socialista (PS), escolhido por 54,3% dos eleitores. A coligação de Sarkozy venceu em apenas 3 das 26 regiões francesas: Alsácia, Guiana Francesa e Reunião.

A nova agremiação, gaullista - doutrina que se baseia na busca de unidade no plano interno como forma de reforçar o papel internacional da França -, será oficializada em um congresso a ser realizado em 19 de junho.

Na apresentação, Villepin não poupou Sarkozy, seu arqui-inimigo político, de críticas contundentes. Irônico, o ex-premiê advertiu para a ineficácia das principais bandeiras políticas do atual presidente, que flerta com a extrema direita em temas como segurança e imigração. "Eu estou desconfortável em relação à política desenvolvida hoje pelo partido majoritário", afirmou. Apesar do discurso de campanha, ele disse que ainda não tem um programa de governo pronto.

Político experiente. Membro da alta burguesia parisiense, Villepin, de 56 anos, ficou conhecido no cenário internacional em 2003, quando, na função de chanceler, encarnou o "não" da França à Guerra do Iraque no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), contrariando os interesses do ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

Alçado ao cargo de primeiro-ministro em 2005 pelo então presidente Jacques Chirac, Villepin enfrentou protestos juvenis e uma onda de violência nas periferias de Paris que quase o derrubaram.

Sua gestão terminou de forma melancólica, depois de ser acusado de ter participado de uma conspiração contra Sarkozy, num caso conhecido como Clearstream, do qual foi absolvido neste ano.

Socialistas. Além de Sarkozy e Villepin, o cenário político francês deve comportar ainda pelo menos dois nomes de peso nas eleições nacionais. O PS e o partido ambientalista Europe Ecologie já anunciaram que pretendem lançar candidatos próprios nas eleições de 2012.

Ségolène Royal deve ser o nome forte dos socialistas. Ela obteve, em sua região de origem, a melhor colocação entre todos os seus colegas de partido nas eleições do fim de semana.

PARA LEMBRAR

O resultado da eleição de domingo, na França, representou o mais duro golpe para o presidente Nicolas Sarkozy desde que ele chegou ao poder, em maio de 2007. Seus rivais socialistas venceram em 23 das 26 regiões francesas. Além da esquerda, a extrema-direita também renasceu - sob a liderança de Marine Le Pen, a Frente Nacional (FN) recebeu 8% dos votos.

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