Ema Foster/Efe
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Villepin é absolvido pela segunda vez no caso Clearstream

Ex-premiê era acusado de envolvimento em esquema de falsas listas de beneficiados de comissões ilegais

EFE

14 Setembro 2011 | 10h35

PARIS - O ex-primeiro-ministro da França Dominique de Villepin foi absolvido novamente nesta quarta-feira pelo Tribunal de Apelação de Paris no caso das falsas acusações de cobrança de comissões, conhecido como Clearstream.

 

O Tribunal de Apelação de Paris confirmou, assim como em primeira instância, penas de prisão para outros dois acusados neste processo que se refere a uma trama de falsas listas de beneficiados de comissões ilegais através da sociedade luxemburguesa Clearstream, nas quais figuravam nomes de personalidades, em particular o do atual presidente francês, Nicolas Sarkozy.

 

O matemático Imad Lahoud foi condenado a três anos de prisão, com 18 meses de cumprimento efetivo, e o ex-vice-presidente do grupo europeu EADS Jean-Louis Gergorin, a outros três anos, com seis meses de cumprimento efetivo. Os dois terão ainda que pagar multa de 40 mil euros cada um.

 

A Promotoria recorrera da absolvição de Villepin em 2010 e solicitada para ele 15 meses de prisão, em uma manobra tida por alguns como dirigida por Sarkozy para continuar o assédio a Villepin, que se transformou em um rival político.

 

O Ministério Público tem agora a possibilidade de seguir prolongando a pressão judicial levando o caso à Suprema Corte, com o que uma decisão definitiva só chegaria em 2012 ou 2013.

 

Villepin, que não escondeu a ambição de se lançar candidato nas eleições presidenciais do ano que vem, declarou à imprensa que sai deste processo "mais determinado que nunca para seguir servindo aos franceses".

 

"A Justiça reconheceu pela segunda vez minha inocência. Quero saudar a independência de nossa Justiça, que soube resistir às pressões políticas", comentou o ex-primeiro-ministro durante a Presidência de Jacques Chirac.

 

Villepin foi objeto nos últimos dias das acusações de um antigo conselheiro de Chirac, que revelou ter entregado aos dois US$ 20 milhões de dinheiro proveniente de dirigentes africanos entre 1997 e 2005.

 

Essas acusações serão objeto de uma investigação judicial, já que a Promotoria anunciou a intenção de interrogar o autor das denúncias, o advogado Robert Bourgi.

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