Villepin é ouvido por 17 horas em caso de escândalo francês

O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, foi questionado por 17 horas, até a madrugada desta sexta-feira, por magistrados que estão investigando uma aparente campanha de difamação em 2004 contra o candidato conservador à Presidência Nicolas Sarkozy.Villepin foi ouvido como testemunha, e não suspeito, no chamado caso Clearstream, que envolve contas bancárias falsas e investigações silenciadas pelo governo."Fiquei muito feliz de poder fornecer meu testemunho neste caso, no qual por muitos meses fui vítima de calúnia e mentiras", disse Villepin a repórteres ao sair da corte de Paris por volta das 3h (0h, horário de Brasília)."Nesta maratona de audiência, que levou 17 horas, pude responder a todas as perguntas da maneira mais precisa possível, ansioso para que a verdade possa surgir."Críticos de Villepin afirmam que ele tentou beneficiar-se do escândalo às custas de Sarkozy, seu rival de longa data dentro da direita política. O primeiro-ministro nega a acusação.O caso Clearstream começou quando cartas anônimas foram enviadas a um magistrado em 2004 alegando que Sarkozy e uma série de políticos importantes da direita e da esquerda tinham contas em Clearstream, uma instituição financeira com sede em Luxemburgo.O dinheiro das contas teria ligação com a venda de fragatas para Taiwan em 1991, marcada por corrupção. Mas as contas eram falsas. Mesmo assim a investigação continuou, levando Sarkozy a afirmar que havia uma tentativa de desacreditá-lo.Antes de tornar-se premiê, no ano passado, Villepin ordenou pelo menos duas investigações do caso Clearstream e na época não informou as conclusões ao então primeiro-ministro nem ao juiz que investigava o caso.O escândalo esquentou agora, antes da próxima eleição presidencial, em que Sarkozy é visto como o claro favorito da direita para enfrentar a candidata do Partido Socialista, Ségoléne Royal.Esta é apenas a segunda vez na França moderna que um juiz questiona um primeiro-ministro como testemunha. O socialista Lionel Jospin foi ouvido em um caso de financiamento partidário em 2001.

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