Villepin enfrenta teste crucial após protestos estudantis

A bola de neve formada pelos protestos estudantis contra um projeto francês para a redução do desemprego juvenil é um dos testes mais severos que o presidente francês Jacques Chirac já enfrentou. O primeiro-ministro francês Dominique Villepin, o preferido de Chirac para a sucessão presidencial, conseguiu aprovar na semana passada um "contrato de trabalho" que facilitará aos empregadores demitir trabalhadores com idade inferior a 26 anos. Essa nova flexibilidade, segundo o governo, incentivará as companhias a empregar milhares de jovens. Mesmo amplamente criticado, o ex-diplomata Villepin - que se opôs fortemente à invasão do Iraque - não mostra sinais de que abandonará seu contraditório combate ao desemprego juvenil. Embora os ministros reconheçam que as leis trabalhistas francesas estão causando preocupação, eles argumentam que a França, como outros países europeus, deve reformar suas políticas trabalhistas para competir contra potências emergentes - como a China -, onde a mão de obra é barata e as proteções ao trabalhador são esparsas. "Permitir que os jovens acreditem que nós podemos dar-lhes um trabalho sem mudar nada no país é falso", disse Villepin, nesta terça-feira, no parlamento, onde ele e outros ministros eram questionados e criticados por legisladores oposicionistas. O assunto está dividindo opiniões e abriu um buraco no partido conservador. O legislador Herve de Charette, ex-ministro do Exterior de Chirac, foi lembrado na semana passada ao dizer que as medidas trabalhistas foram "uma falha que, se persistir, nos custará a eleição presidencial". Nesta terça-feira, membros do alto escalão do partido de Chirac e o próprio presidente estreitaram relações com o primeiro ministro. Chirac quebrou seu hábito de não discutir publicamente assuntos domésticos no exterior ao dizer a repórteres na Alemanha que apóia Villepin "totalmente e sem reservas". Ele também afirmou que o emprego juvenil "é um delicado problema que preocupa todos os governos europeus". Críticos da esquerda também se manifestaram. O líder do partido Socialista francês, Francois Hollande, em discurso no parlamento, alertou Villepin ao dizer que "você [Villepin] está correndo o risco de inaugurar um longo e sério conflito que poderá trazer conseqüências que ninguém pode prever". Ele ainda disse que "há uma ruptura entre a autoridade e a maioria dos jovens". Os socialistas pediram ao Conselho Constitucional, órgão que comanda a constitucionalidade das leis francesas, que cassasse a lei que criou o contrato. O conselho tem um mês para decidir - ou oito dias se o governo pedir para que se chegue em uma decisão urgentemente.

Agencia Estado,

14 Março 2006 | 17h38

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