Villepin mobiliza Gabinete e caso "Clearstream" vai ao Parlamento

O primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin, reunirá na terça-feira seu Gabinete para sinalizar que mantém o controle da situação, enquanto seu possível envolvimento em uma intriga político-judicial chega ao Parlamento.O caso "Clearstream", uma sociedade investigada pela Justiça por supostos pagamentos de comissões ilegais por contratos de armas, envolveu diferentes personalidades. Uma delas foi o ministro do Interior francês, Nicolas Sarkozy, cotado para concorrer à Presidência em 2007 e que poderá disputar a indicação com Villepin.Recai sobre o primeiro-ministro a suspeita de que esteja por trás do informante anônimo que incluiu Sarkozy entre os investigados. Villepin rejeitou a hipótese, mas já surgem pedidos para que renuncie.O presidente, Jacques Chirac, mandou o recado de que confia no primeiro-ministro e não vê motivos para que renuncie. No entanto, a oposição de centro e de esquerda e alguns correligionários conservadores pedem a intervenção do chefe do Estado sobre o caso, que prejudica a imagem dos conservadores um ano antes da eleição presidencial.Após o recesso parlamentar das últimas duas semanas, as câmaras poderão finalmente analisar o caso "Clearstream".Horas antes de reunir sua equipe de Governo, Villepin seencontrará com parlamentares de seu partido, a UMP, presidido por Sarkozy.Enfraquecido devido à crise do Contrato de Primeiro Emprego(CPE), que precisou retirar há três semanas contra sua vontade, Villepin começa a ser questionado entre seus correligionários. Os simpatizantes de Sarkozy vêem nas dificuldades doprimeiro-ministro um caminho aberto para a candidatura do atual ministro do Interior nas eleições de abril de 2007.A imprensa francesa também especula sobre a atitude que deve ser adotada por Jacques Chirac, atingido pela deterioração do Governo e por sua falta de reação.Uma das hipóteses sugeridas pela imprensa é que Chirac promova uma reorganização do Governo que expulse Villepin e Sarkozy do Gabinete, para preservar a homogeneidade a um ano das eleições presidenciais.

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