Villepin pede ao Irã que assuma "suas responsabilidades"

O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, disse que a França privilegia "a via do diálogo" na crise sobre o programa nuclear iraniano e ressaltou que agora o Irã deve assumir "todas as suas responsabilidades".A única solução é "política", afirmou o chefe do Governo conservador nesta quinta-feira, em um discurso na Câmara dos Deputados no início de um debate sobre a situação no Oriente Médio, especialmente no Líbano.Após afirmar que o programa nuclear iraniano gera "inquietações legítimas", Villepin disse que a resposta do Irã à oferta da comunidade internacional "não é satisfatória, especialmente sobre a necessidade" de que suspenda o enriquecimento de urânio."Junto à comunidade internacional privilegiamos atualmente a via do diálogo. Cabe agora ao Irã assumir todas as suas responsabilidades", ressaltou o primeiro-ministro.Altos funcionários da Alemanha e dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido), que em junho ofereceram ao Irã um pacote de incentivos em troca da suspensão do enriquecimento de urânio, se reúnem nesta quinta-feira em Berlim para analisar os passos seguintes.O Irã, que se negou a suspender as atividades nucleares até 31 de agosto, como o Conselho de Segurança da ONU exigiu, se expõe teoricamente à possibilidade de sanções.Mas, enquanto os Estados Unidos reiteraram na quarta-feira à noite seu desejo de sanções ao Irã o mais rápido possível, Rússia e China continuam reticentes, e os países da União Européia são favoráveis a dar mais tempo ao Irã.O negociador nuclear iraniano, Ali Larijani, que chegou nesta quinta-feira a Madri para se reunir com autoridades espanholas, disse que se encontrará no sábado com o representante de política externa e segurança da UE, Javier Solana, depois de o encontro de ontem ter sido suspenso.Em um encontro com a imprensa estrangeira nesta quinta-feira, o ministro de Exteriores francês, Philippe Douste-Blazy, insistiu na necessidade de manter o diálogo com o Irã, "hoje mais que nunca", para encontrar uma solução que permita sair da paralisação atual."Temos que adotar nestas discussões um enfoque gradual que, respeitando as nossas exigências, permita responder às preocupações iranianas. É o que é preciso encontrar", afirmou Douste-Blazy.Já que o Irã se nega a suspender o enriquecimento de urânio antes do diálogo, uma possibilidade indicada por fontes diplomáticas seria propor que essa suspensão ocorresse durante as negociações.

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