Villepin processa autores de livros sobre caso Clearstream

O primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin, irá processar por difamação os autores de dois livros que o implicam em uma campanha para manchar a imagem de seu rival político, o ministro do Interior Nicolas Sarkozy, informou o gabinete do premier nesta segunda-feira."Não se pode aceitar que obras inteiras dedicadas a construções intelectuais acusem o primeiro-ministro sem fundamento", afirma o gabinete do premier para justificar sua decisão. De acordo com o procedimento do governo, Villepin convocou o ministro da Justiça, Pascal Clement, na segunda-feira e pediu a ele para abrir o processo contra dois livros: Clearstream, a Investigação, de Denis Robert, e Acertando as contas com o Elysée, de Jean-Marie Pontaut e Gilles Gaetner. O Palácio de Elysée é a residência oficial do presidente francês Jacques Chirac. Os dois livros falam sobre o papel de Villepin no chamado "Caso Clearstream", um escândalo político que abalou o governo francês há alguns meses. No centro do escândalo estão listas falsas que incluem nomes de políticos influentes que teriam recebido supostas comissões ilegais na venda de fragatas militares a Taiwan, em 1991. Um dos nomes citados na lista era o do ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, um dos possíveis candidatos à disputa presidencial de 2007 e rival de Villepin. O primeiro-ministro e o presidente Jacques Chirac foram acusados pela oposição de terem ordenado a realização das investigação sobre as supostas contas mesmo sabendo que as listas eram falsas. Villepin reconheceu que ordenou uma investigação confidencial sobre o Clearstream no começo de 2004, quando ainda era ministro dos Assuntos Exteriores, mas negou que o inquérito fosse dirigido contra Sarkozy e otros políticos.Segundo notas pessoais do encarregado das investigações, o general Philippe Rondot, Villepin teria dito que executava uma ordem do presidente Jacques Chirac. O premier e o presidente negam as acusações. Denis Robert investigou o caso Clearstream durante anos e escreveu dois livros sobre o assunto. Um tribunal parisiense atrasou o lançamento de seu livro mais recente, alegando que a obra viola o pressuposição da inocência de outra figura chave no caso, o especialista em computação Imad Lahoud."Hoje na França está se tornando cada vez mais difícil falar a verdade", disse o autor à emissora de TV LCI na noite de domingo."O processo do primeiro-ministro não me surpreende e não me preocupa" afirmou Robert, acrescentando que reitera todas as informações contidas em seu livro. Em Acertando as contas com o Elysée, os autores afirmam que Villepin mentiu cinco vezes sobre seu papel no caso.

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