Villepin rebate rumores sobre possível renúncia

Enfraquecido politicamente pela crise do Contrato Primeiro Emprego (CPE) e por uma grande falta de popularidade, o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, rebateu nesta quarta-feira todos os rumores de uma possível renúncia. "Como chefe do Governo tirarei todas as conclusões necessárias durante os próximos dias", afirmou na câmara dos deputados. Ele fazia menção às negociações iniciadas hoje entre associações de trabalhadores e de estudantes, que pedem a revogação do CPE, e os líderes parlamentares do partido conservador governista, a UMP, que é presidida pelo Ministro do Interior Nicolas Sarkozy, o número dois do governo. Alguns analistas viram na declaração de Villepin uma advertência lançada a Sarkozy contra o abandono do CPE nas negociações. Isto poderia levá-lo a optar pela renúncia, algo que não convêm neste momento a Sarkozy, que deseja se candidatar à presidência francesa em 2007. Na última semana, Villepin cometeu um lapso revelador ao falar de "renúncia" no lugar da "decisão" do Conselho Constitucional sobre o contrato. Uma nova pesquisa mostra que 45% dos franceses desejam a renúncia de Villepin, enquanto 49% preferem que ele continue no cargo. A avaliação também mostra que apenas 28% dos entrevistados estão satisfeitos com o trabalho do político. Após um líder socialista ter dito na terça-feira que "o senhor não governa", o jornal popular Le Parisien perguntou na primeira página da edição desta quarta-feira: "Para que serve Villepin?". Entre os que interpretaram o comentário feito pelo premier como uma indicação de que ele poderia renunciar está o chefe do partido centro-liberal UDF na câmara dos deputados, Hervé Morin. No entanto, o líder político também disse que se Villepin "chegar à conclusão de que tem que renunciar, isso não resolveria em nada a crise política e de regime em meio a qual estamos". Para o deputado centro-liberal, é o próprio presidente e mentor do primeiro-ministro, Jacques Chirac, que deveria deixar o cargo, pois está "totalmente desacreditado". Assim encerraria o período de "fim de regime". Já o presidente da UDF, François Bayrou, declarou que a crise do CPE produziu "o desmoronamento das instituições" e "chegou o momento" de passar da "esgotada" 5ª República (fundada em 1958) para uma 6ª República, "nova e sadia". Enquanto isso, o líder do opositor Partido Socialista, François Hollande, declarou à France Info que não pede a saída de Villepin, pois respeita o calendário e não procura sua "aceleração". Partidários de Villepin rechaçaram os rumores sobre uma possível renúncia e disseram que, com a declaração de hoje, quis deixar claro que continua tendo as rédeas do governo. Com relação a isso, citam a afirmação do primeiro-ministro que não deixará que "mais ninguém" tire conclusões sobre o resultado das negociações relacionadas ao CPE e que estará "sempre" presente "na reunião dos fatos".

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