Villepin rejeita rumores de renúncia e se diz aberto ao diálogo

O primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin, disse nesta quinta-feira estar disposto a dialogar para solucionar a crise do Contrato de Primeiro Emprego (CPE), pediu calma e qualificou como "conjecturas e pura fantasia" os rumores sobre sua possível renúncia. Em sua nona entrevista coletiva, Villepin disse que o presidente Jacques Chirac confiou a ele "uma missão", a da batalha pelo emprego, e que a levará "até o final". Com a popularidade nos níveis mais baixos de seu mandato, enfraquecido pela crise gerada pelo contrato de trabalho para menores de 26 anos, que lançou sem negociação, Villepin quis mostrar que as rédeas do Executivo continuam em suas mãos. O primeiro-ministro fez projeções para o futuro, e anunciou que, superada a crise do CPE, abrirá três novas frentes de reforma: a segurança dos contratos profissionais, a luta contra a pobreza e a exclusão, e o reforço dos vínculos entre a universidade e o mercado de trabalho. Os manifestantes exigem o cancelamento do contrato antes do próximo dia 17, quando o Parlamento entra em recesso por duas semanas. A prioridade "imediata" é acabar com esta crise para "recuperar a serenidade e a unidade de todo o país", destacou Villepin. O primeiro ministro evitou falar diretamente a respeito das conjecturas sobre sua renúncia, surgidas após sua ausência muito comentada na semana passada e declarações ambíguas, mas afirmou que levará "até o final" sua batalha pelo emprego. Também tentou desfazer a impressão de que ficou de fora da busca da solução da crise, uma vez que são os líderes parlamentares da União por um Movimento Popular (UMP) os responsáveis pelo diálogo iniciado na quarta-feira com os empresários e os sindicatos de trabalhadores e estudantes. Villepin disse que optou por uma proposta de lei para resolver a crise, pela necessidade de avançar "rapidamente". O primeiro-ministro assegurou que, ao final da conversa entre os líderes parlamentares da UMP e os agentes sociais, serão tiradas "as conclusões e, sob a autoridade" de Chirac, serão decididas "as opções necessárias para combater o desemprego". Em um pronunciamento para a televisão na última sexta-feira, Chirac anunciou a promulgação da lei de igualdade de oportunidades que cria o CPE, mas pediu que este não seja aplicado até que seus dois pontos mais polêmicos sejam modificados através de uma nova lei. Chirac pediu a redução do período de experiência para um ano e que as demissões sejam justificadas durante este tempo. Villepin também fez um tímido "meia culpa" para a crise, ao afirmar que queria obter "resultados rápidos" para o emprego dos jovens, e voltou a defender o CPE como "uma ferramenta" para este objetivo. Ao ser perguntado se o CPE "morreu", Villepin pediu que os prejulgamentos sobre o resultado das conversas e as "conclusões precipitadas" sejam evitados, e se esquivou de perguntas sobre a possibilidade de retirar o CPE caso os sindicatos aceitem que a "flexibilidade" é necessária para gerar empregos. "Adotaremos as respostas mais apropriadas para avançar sem renunciar à vontade de responder à situação dos jovens", disse o primeiro-ministro. Entre os ministros que o acompanharam na entrevista coletiva, estava ausente o Ministro do Interior Nicolas Sarkozy, número dois do Executivo, presidente da UMP, que iniciou os contatos com os sindicatos, e candidato ao Palácio do Eliseu nas eleições de 2007. Mais manifestações Manifestantes contrários ao Contrato de Primeiro Emprego (CPE) para jovens mantinham hoje a pressão para conseguir sua rápida retirada, com operações de bloqueio do tráfico em várias regiões da França. No sudeste do país, manifestantes anti-CPE organizaram atos que causaram engarrafamentos quilométricas à entrada da cidade de Marselha. Tanto em Limoges (centro) como em Nantes (oeste), os ativistas bloquearam as estradas de acesso e vários pontes. Já em Toulouse (sudoeste), nesta madrugada, cerca de cem militantes bloquearam um trem que transportava partes do avião gigante A380 da Airbus rumo às instalações da fabricante aeronáutica européia. Finalmente, após duas horas, o grupo foi desalojado pela polícia, mas nesta manhã estudantes e sindicalistas voltaram a ocupar os acessos às instalações da Airbus. Todas estas operações respondem às palavras de ordem lançadas pela frente nacional estudantil anti-CPE para frear a atividade econômica com o objetivo de obter a retirada do contrato. Os 12 sindicatos de trabalhadores e estudantes que lideram a campanha contra o CPE exigem a anulação do contrato antes do próximo dia 17, quando o Parlamento inicia um recesso de duas semanas.

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