Villepin reúne governo na véspera de novos protestos contra o CPE

O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, reuniu nesta segunda-feira seu governo na véspera de uma nova mobilização contra o Contrato de Primeiro Emprego (CPE), depois que a busca de uma solução para a crise gerada pela reforma trabalhista passou para as mãos de seu rival Nicolas Sarkozy. Oficialmente, o objetivo da reunião é "estabelecer o rumo para os próximos meses", segundo Villepin, que, em entrevista concedida no último domingo a um jornal, assegurou que não se sentia desautorizado pela decisão do presidente francês, Jacques Chirac, sobre o CPE, que entrou em vigor no último domingo. A decisão de Chirac de promulgar o CPE e pedir, ao mesmo tempo, que não seja utilizado até que os dois pontos mais polêmicos sejam alterados não foi entendida pela maioria dos franceses, e 71% deles opinam que o movimento deve ser radicalizado. Segundo a mesma enquete, publicada nesta segunda-feira pelo jornal Le Monde, 54% dos franceses querem a retirada do CPE, mesmo que as alterações sejam feitas. Chirac pediu que o tempo de experiência do CPE seja reduzido à metade (a um ano) e que se explique ao contratado as causas de sua demissão, mas os sindicatos de trabalhadores e os estudantes mantiveram sua exigência de que a reforma seja retirada. As organizações sindicais e estudantis devem receber entre hoje, segunda-feira, e amanhã, terça-feira, dia 3 , uma carta assinada pelos presidentes dos grupos parlamentares da governante UMP, Bernard Accoyer (Assembléia Nacional) e Josselin de Rohan, que as convidam a dialogar. Ao encarregar Accoyer e Rohan da solução da crise, o problema fica, na prática, nas mãos de Sarkozy, o presidente da UMP. Sarkozy, que reunirá esta tarde a cúpula da UMP para traçar um plano para solucionar a crise, está disposto a retirar o CPE, segundo o jornal de esquerda Libération. Enquanto isso, a coordenação nacional de estudantes convocou uma greve geral na França a partir desta terça-feira, quando será realizado o quinto dia de interrupções e manifestações contra o CPE.

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