Villepin se diz vítima de ´calúnias e mentiras hediondas´

O primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin, disse nesta terça-feira ser "vítima" de uma "campanha de calúnias e mentiras hediondas" situadas no contexto da pré-campanha rumo às eleições presidenciais de 2007.Em um tom fortemente combativo, Villepin fez essas declarações na sessão de controle parlamentar sobre o governo na Assembléia Nacional (Câmara dos Deputados), reagindo assim às críticas da oposição de esquerda e da centro-liberal UDF devido aos rumores que o relacionam a uma suposta trama contra o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy."Fui vítima, nos últimos dias, de uma campanha de calúnias e mentiras hediondas. Uma campanha que me afetou e feriu profundamente. Basta", afirmou Villepin, que foi aplaudido pelos integrantes da UMP (majoritária e governante) e vaiado pela oposição.Villepin destacou que essa "campanha de difamação" ocorre a um ano do pleito presidencial, algo que ocorre "regularmente" na França e que coincide com a recente publicação dos "melhores dados sobre desemprego dos últimos cinco anos", em alusão ao fato de quase 200 mil pessoas terem saído das listas de desempregados em março passado.E, em tom de desafio, acrescentou: "Não aceitarei jamais, nem hoje nem amanhã, nem para mim nem para ninguém, que a calúnia, a ocultação e a mentira triunfem sobre a verdade, porque isso seria indigno, porque isso enfraqueceria nosso Estado de direito e nossa democracia"."A única resposta é a verdade e a transparência", acrescentou, reiterando sua disposição em colaborar com os dois juízes que investigam a identidade do anônimo que, na primavera-verão de 2004, envolveu vários políticos de esquerda e de direita, incluindo Sarkozy, assim como grandes personalidades da economia francesa, em uma trama de corrupção.E, como já fez esta manhã em entrevista à emissora Europe 1, descartou renunciar: "Nada me afastará do meu dever (...) Não deixarei, em nenhum momento, ser afastado da minha missão".Villepin lembrou ainda a oposição que a estratégia de buscar "bodes expiatórios (...) só favorece a radicalização".O líder do Partido Socialista (PS, principal partido da oposição), François Hollande, garantiu que o país atravessa uma "crise de excepcional gravidade", e lamentou o "clima insuportável" que se respira na "cúpula do Estado".Para o porta-voz da UDF na Assembléia Nacional, Jean-Christophe Lagarde, o ambiente é "nojento" e destaca "um fim de reinado que nunca acaba".

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