''Vim atrás da liberdade e hoje vivo como mendigo''

VENTIMIGLIA, ITÁLIA

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2011 | 00h00

"Viemos em busca de liberdade. Hoje, estamos presos e nem sequer tenho coragem de contar que vivo como um mendigo para a minha família que ficou na Tunísia", diz Mohamed Charif, de 24 anos, que desde 4 de março está na fronteira entre a França e a Itália.

"Meu pai morreu durante os confrontos em fevereiro e dois irmãos meus foram presos e torturados. Decidi sair do país, arriscar minha vida cruzando num barco pequeno o Mediterrâneo para chegar à Europa e sustentar toda minha família", declarou ao Estado. "Hoje, quando consigo falar com minha mãe e meus irmãos, não tenho coragem de contar que estou comendo graças à Igreja e à caridade e não tenho onde dormir. Estou exausto."

Charif não conseguiu um lugar no centro de acolhimento montado pela Cruz Vermelha em Ventimiglia. Para proteger-se à noite, usa um terminal abandonado da estação de trem como quarto. "Eu fiz três anos de comércio na universidade. Hoje, moro numa estação de trem e a grande ironia é que não tenho direito de pegar nenhum trem, nem para a França, que me exige documentos, nem para nenhum outro lugar porque não tenho dinheiro", completou.

A reportagem do Estado questionou qual seria a cidade para a qual Charif gostaria de ir na França, se fosse finalmente autorizado a cruzar a fronteira. "Agora, tanto faz. Já descobri que não sou ninguém na Europa", respondeu.

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