Vínculo entre tragédias climáticas divide especialistas

O possível vínculo entre as enchentes no Paquistão e na China e a onda de calor, a seca e os incêndios florestais na Rússia se tornou ontem fonte de debate entre especialistas dos maiores centros de pesquisa meteorológica da Europa. Enquanto autoridades contam os mortos nos três países, os cientistas se dividem sobre as explicações dos fenômenos, que teriam relação com uma mesma corrente de ar em alta altitude.

AE, Agência Estado

12 de agosto de 2010 | 08h19

Para alguns dos institutos de meteorologia mais importantes da Europa, como o British Met Office e o Météo France, os fenômenos estão interligados. A explicação para a intempérie no Paquistão seria o chamado "jet-stream", corrente de ar que circula em altas altitudes - entre 6 e 15 quilômetros da superfície -, a uma velocidade média de 100 quilômetros por hora.

Com a onda de calor, um "jet-stream" teria se formado a partir da Rússia. Sobre o Paquistão, a corrente teria se chocado com uma monção de intensidade anormal vinda do sul. "É claro que há vínculo entre os fenômenos", disse ao jornal O Estado de S. Paulo Etienne Kapikian, perito do Météo France.

Entre cientistas que estudam mudanças climáticas, há cautela em relação à influência do aquecimento global nas tragédias. Hervé Le Treut, diretor do Instituto Pierre Simon Laplace, adverte que uma das evidências do aquecimento global é a maior frequência de eventos extremos. Já Pascal Scaniver, chefe do Serviço Previsão da consultoria Chaîne Météo, da França, vê fenômenos independentes nas chuvas da China e do Paquistão e na onda de calor na Rússia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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