Cláudia Trevisan / Estadão
Cláudia Trevisan / Estadão

Dez crianças brasileiras separadas dos pais na fronteira dos EUA ainda estão em abrigos

Justiça americana deu até hoje para que a administração Donald Trump desfaça as separações, resultado da política de 'tolerância zero' contra a imigração irregular

Renata Tranches , O Estado de S.Paulo

26 Julho 2018 | 05h00
Atualizado 26 Julho 2018 | 16h04

No dia em que se encerrar o prazo para o governo americano reunir as milhares de crianças imigrantes separadas dos pais na fronteira do país com o México, há nesta quinta-feira, 26, dez crianças brasileiras nessas condições em ambrigos dos Estados Unidos, segundo o Ministério das Relações Exteriores. 

A Justiça americana deu até hoje para que a administração Donald Trump desfaça as separações, resultado da política de "tolerância zero" contra a imigração irregular iniciada em abril. Congressistas democratas, que organizaram uma ação para pressionar o governo ontem a cumprir o prazo, alegaram que há mais de 2 mil crianças separadas dos pais no país. A Casa Branca diz que são 1.634. 

+ EUA deportaram mais de 400 pais sem seus filhos

O Itamaraty informou ao Estado que o monitoramento da rede consular brasileira realizado ontem indicou hoje 10 menores brasileiros distribuídos por centros localizados em Chicago (4) e Houston (6). Na quarta-feira, o total era de 20 crianças em abrigos, 14 em Chicago.  "Os agentes consulares mantêm suas visitas regulares aos abrigos, com contatos com cada um dos menores, para assegurar que estão recebendo os cuidados devidos", afirmou o ministério. 

A iniciativa do governo Trump levou à separação de mais de 3 mil crianças de seus pais imigrantes nos EUA. Ela foi interrompida em junho quando o juiz federal Dana Sabraw, da Califórnia, ordenou a reunificação até hoje. 

O governo brasileiro explicou que nas duas últimas semanas, 39 menores foram liberados e reunidos a pais ou responsáveis nos EUA e ainda há outros processos de reunificação familiar em fase de finalização. A chancelaria do País esclarece que esses processos são de natureza administrativa e por isso dispensam a representação em juízo. 

Caso as famílias peçam representação legal, o governo diz já ter identificadas organizações com advogados especializados em direito imigratório que oferecem esse serviços pro bono. "Algumas dessas organizações já vêm inclusive colaborando com os consulados no auxílio às famílias afetadas." 

 

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