Violência afeta imagem de líder em bairro de Quito

Em um dos redutos do presidente Rafael Correa na capital equatoriana, o bairro de La Michelena, no sul de Quito, a maioria dos eleitores ainda o respalda, mas adverte para um problema crescente: o aumento da criminalidade associado ao alto consumo de drogas.

QUITO, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2013 | 02h09

Dona de um salão de beleza em uma rua próxima à praça onde Correa encerrou sua campanha, na quinta-feira, Mercedes Garzón já foi assaltada duas vezes no último mês. Ela relata que a calçada na frente da sua loja virou ponto de consumo de drogas, onde viciados costumam fumar "umas pedrinhas brancas" (provavelmente crack).

"Tem muita droga e muita violência. Eles escondem a pedra na calçada e não posso dizer para irem embora senão, no dia seguinte, depredam a minha loja", contou a microempresária, que não sabe em quem vai votar, à reportagem do Estado. "Não posso chamar a polícia. Eles fogem, ou dão uma propina para eles não virem aqui."

Eleitora de Guillermo Lasso, a auxiliar de escritório Indira Noguera também sofreu com o aumento da criminalidade no bairro. Seu marido foi vítima de um roubo, foi esfaqueado e deixado na calçada. Não morreu por pouco. "Vendem muita droga por aqui. Eu já fui roubada, meu marido também, mas com ele foi pior. Eles o atacaram e o deixaram-no aí na calçada", contou.

O que dá mais medo à farmacêutica Marisa Peliacho é um ladrão que vaga pelo bairro, armado de um caco de vidro. "É um moreno alto. Ele para as pessoas e pede um dólar. Quando se recusam, fura elas na barriga com um caco de vidro de garrafa", relatou. "Mas ele agora está ameaçado de morte. Como a polícia não faz nada, uns garotos do bairro se juntaram e querem pegar ele."

Apesar do problema da violência no bairro, ela julga que isso não é o suficiente para deixar de votar em Correa.

"Ele é diferente dos outros. Faz muito pelos outros, acima de tudo pelas pessoas inválidas. Elas recebem não só a bolsa do governo mas uma casa também. Os outros (políticos) só roubam e fogem do Equador", disse.

A balconista da farmácia, Lily Versalvati, concorda com a sua patroa. "O presidente melhorou muito esse bairro, investiu muito na área social", afirmou a balconista. "A violência é um problema, mas se nos organizarmos coletivamente podemos melhorar isso. Veja só o exemplo do louco da garrafa." / L.R

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