Violência ameaça diálogo na Venezuela; Chávez encontra Uribe

O diálogo mantido entre representantes do governo e da oposição em busca de uma saída para a crise venezuelana parece ameaçado pelos violentos distúrbios promovidos por policiais rebeldes da Polícia Metropolitana e grupos governistas, segundo a oposição. A mesa de negociações iniciou seu quarto dia de sessões em meio a um clima tenso, diante dos acontecimentos ocorridos na véspera no centro de Caracas, que deixaram um morto e 15 feridos a bala, e os ataques contra a residência do cardeal Ignacio Velasco - atingida por uma bomba de fragmentação, que não causou danos nem vítimas -, um jornal e uma estação de televisão. O centro da capital foi tomado, nesta quarta-feira, por várias centenas de membros da Guarda Nacional e policiais para garantir a ordem pública, enquanto um grupo de simpatizantes do governo se reuniu nas proximidades da Prefeitura Metropolitana para protestar contra as agressões sofridas por alguns manifestantes. O embaixador dos EUA em Caracas, Charles Shapiro, expressou seu repúdio pelos fatos e pediu aos venezuelanos que rejeitem a violência "sob todas as formas e condições". "Por isso a mesa de negociação é tão importante... ambos os lados têm de ser muito francos", comentou o diplomata. "Esse diálogo é uma farsa", disse o prefeito metropolitano de Caracas, Alfredo Peña, ao questionar a postura do governo nas negociações e ao responsabilizar o presidente Hugo Chávez pelos distúrbios de rua da terça-feira. Segundo declarou Peña à rede de televisão Globovisión, Chávez quer que a mesa de negociações "fracassem", porque teme ir a uma consulta popular, devido à queda de sua popularidade. Já o negociador governista, o congressista Nicolás Maduro, considerou "suspeita" a ocorrência de incidentes violentos em Caracas em meio ao processo de diálogo. Maduro responsabilizou o prefeito pelos distúrbios de ontem e disse à agência oficial Venpres que Peña "está acostumado... a atirar chumbo e reprimir a população na rua".Reunião com UribeHugo Chávez e o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, analisaram hoje, na cidade colombiana de Santa Marta, a insegurança na fronteira, o contrabando e os obstáculos no comércio bilateral. Esta foi a primeira reunião oficial entre Chávez e Uribe para tratar de questões bilaterais. O chanceler venezuelano, Roy Chaderton, que acompanha Chávez em sua visita, afirmou hoje que seu país está "comprometido com o processo de paz da Colômbia" e não descartou a possibilidade de que possam ser realizados, na Venezuela, diálogos entre o governo colombiano e a guerrilha, se as partes solicitarem. O encarregado venezuelano de negócios na Colômbia, Iván Sandoval, também revelou que a Comissão Binacional Fronteiriça deverá ser reativada para que se examinem os problemas de segurança nas zonas limítrofes, onde atuam grupos guerrilheiros, paramilitares e de delinqüência comum, dedicados ao narcotráfico e ao contrabando. As relações entre os dois países ficaram estremecidas neste ano, após o governo colombiano acusar a Venezuela de abrigar em seu território guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Em seu encontro com Uribe, Chávez também defendeu o que chamou um "processo de transformação política" em seu país e admitiu que há "grupos na Venezuela que ainda não entenderam o processo e até mesmo recorreram ao golpismo?.

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