Violência ameaça missão norte-americana de trégua

A missão norte-americana enviada ao Oriente Médio para conseguir uma trégua estava num impasse, nesta quinta-feira, com um funcionário do governo dos Estados Unidos dizendo que não se sabia como o enviado especial, Anthony Zinni, poderia realizar o trabalho de mediação, após Israel ter cortado relações com Yasser Arafat, e a Autoridade Palestina ter demonstrado pouca disposição de reprimir os militantes.Aviões e helicópteros de combate israelenses atacaram, nesta sexta-feira, pelo segundo dia consecutivo, prédios da polícia palestina na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, em retaliação a um ataque de militantes islâmicos que causou a morte de 10 colonos judeus.Forças israelenses ocuparam a casa de um assessor de Arafat e derrubaram o transmissor da rádio Voz da Palestina, deixando-a fora do ar durante diversas horas.Um palestino morreu durante um dos ataques israelenses. Dois adolescentes, um de 13 e outro de 15 anos, foram assassinados por soldados israelenses que tentavam dispersar atiradores de pedras na Faixa de Gaza. Outro palestino também foi morto por tropas israelenses em Gaza. Desde a chegada de Zinni à região, em 26 de novembro, 54 palestinos e 44 israelenses já foram mortos.A repentina espiral de violência parece ter liquidado as esperanças de implementação de uma trégua negociada pelos Estados Unidos.Sob condição de anonimato, um funcionário do governo norte-americano disse que a decisão tomada, nesta quarta-feira, pelo gabinete israelense, de cortar relações com a Autoridade Palestina, complicou a atuação de Zinni.Ele comentou que o enviado especial decidiria o que fazer após uma reunião com o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, na noite desta quinta-feira.O funcionário disse que Zinni procuraria esclarecer com Sharon se ele não aceita nem contatos indiretos com os palestinos, com Zinni agindo como mensageiro.Nos ataques desta quinta-feira, helicópteros israelenses dispararam mísseis contra cinco delegacias da polícia palestina, no centro da cidade cisjordaniana de Ramallah, a poucos metros do gabinete de Arafat, disseram palestinos. Não havia informações sobre feridos graves.Aviões de guerra e helicópteros também destruíram um prédio ligado às forças de segurança em Jenin, no extremo norte da Cisjordânia, e edifícios da polícia na Cidade de Gaza, segundo testemunhas.Fontes de hospitais disseram que 15 pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave. Um míssil atingiu um pequeno escritório de inteligência militar, quebrando as janelas de uma mesquita situada nos arredores, relataram testemunhas.O Exército de Israel informou ter atacado um posto de polícia em Ramallah, instalações de segurança em Gaza e um diretório da Fatah em Jenin "em retaliação aos ataques assassinos e à incapacidade da Autoridade Palestina de evitá-los".O porta-voz de Arafat, Nabil Abu Rdeneh, classificou os ataques israelenses como "uma declaração oficial de guerra".O ministro palestino da Informação, Yasser Abed Rabbo, alega que os ataques israelenses tornaram a Autoridade Palestina incapaz de cumprir uma promessa de Arafat, feita após o ataque ao ônibus de quarta-feira, de fechar os escritórios do Hamas e da Jihad Islâmica. "Estamos comprometidos com tudo que prometemos, mas não temos meios de cumprir", reclamou.O negociador palestino Saeb Erekat pediu aos Estados Unidos que parem com "a loucura que visa destruir o processo de paz". Erekat reuniu-se, nesta quinta-feira, com Zinni. Ele contou que o enviado pediu aos palestinos que cumpram suas promessas. Erekat alegou que a ofensiva israelense impossibilita isto.Israel considera Arafat responsável pela campanha de ataques suicidas e outros atentados, reclamando que ele não fez o bastante para conter a violência. Arafat defende que 180 militantes palestinos foram detidos em buscas recentes.No entanto, a fonte norte-americana disse que Arafat não foi incisivo o bastante. "Nós demos a ele uma lista de 33 pessoas, homens maus de verdade", disse o oficial. Segundo ele, "apenas 12 foram detidos até o momento".Tropas israelenses invadiram diversos pontos de Ramallah nesta quinta-feira, no percurso do gabinete de Arafat. Mas funcionários israelenses insistem em que Arafat não é um alvo.O brigadeiro-general Ron Kitrey, porta-voz do Exército israelense, disse que os soldados judeus estavam cercando Ramallah e outras cidades para implementar "medidas antiterror".Em Ramallah, os soldados israelenses tomaram a casa de Marwan Barghouti, líder da milícia Tanzim, ligada ao movimento político Fatah, de Arafat.Barghouti estava perto de casa quando tanques e jipes israelenses cercaram o prédio onde ele mora, mas ele escapou ileso. Soldados confinaram sua esposa, seus filhos e outros parentes numa sala do apartamento, disse sua esposa, Fadweh Barghouti, pela janela."Eles dizem que não sabem ao certo quanto tempo vão ficar aqui, mas eles querem Marwan Barghouti, e ficarão na casa até prendê-lo", gritou ela.Kitrey disse que os soldados não estavam tentando prender Barghouti e alegou que os moradores tinham liberdade para se locomoverem. O Estado judeu acusa a Tanzim de estar envolvida em alguns ataques contra civis israelenses.Ainda nesta quinta-feira, Israel tirou brevemente do ar a Rádio Voz da Palestina. Mísseis atingiram o principal centro de transmissão da rádio, em Ramallah. Em seguida, soldados destruíram o prédio e detonaram explosivos para derrubar a torre de transmissão de 30 metros. Horas mais tarde, a estação voltou a transmitir em outra freqüência.Soldados israelenses também bloquearam a principal rodovia que cruza Gaza de norte a sul, cortando a faixa em duas.

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