Violência ameaça trégua no Oriente Médio

Um ataque suicida palestino deixou três mortos na Faixa de Gaza nesta sexta-feira - dois soldados israelenses e o autor do atentado -, num duro golpe contra a frágil trégua palestino-israelense em uma nova escalada de violência no Oriente Médio. Um terceiro soldado israelense ficou ferido no atentado, ocorrido quando um palestino detonou um artefato explosivo a bordo de um jipe numa rua no norte da Faixa de Gaza, confirmou nesta sexta-feira à noite uma porta-voz do Exército judeu. O atentado suicida, que de acordo com algumas versões deixou cinco palestinos feridos, coincidiu com a chegada a Israel de novas missões diplomáticas dos Estados Unidos e da Europa. Ao fornecer detalhes sobre o atentado suicida, a porta-voz israelense relatou que uma palestina avisou, do telhado de uma casa, a uma patrulha israelense, que um jipe vizinho ao assentamento judaico de Dugit precisava de ajuda. Quando os soldados se aproximaram, prosseguiu a porta-voz, o camicase que se encontrava dentro do veículo detonou os explosivos. O palestino e dois soldados morreram, e um terceiro soldado ficou levemente ferido. As mortes desta sexta foram as primeiras baixas sofridas pelo Exército de Israel desde o início da trégua negociada pelo diretor da CIA, George Tenet, em 13 de junho. O grupo militante islâmico Hamas assumiu a responsabilidade pela explosão, anunciando o nome do militante suicida nos alto-falantes instalados sobre uma mesquita na Faixa de Gaza. A chegada das missões diplomáticas empreendidas nesta sexta-feira pelo chefe de política externa da União Européia (UE), o espanhol Javier Solana, e pelo embaixador norte-americano William Burns foi manchada pela violência. Centenas de colonos judeus - enfurecidos pela repetição de emboscadas mortais contra eles - obstruíram durante a manhã o trânsito automobilístico de palestinos em importantes estradas da Cisjordânia. Em Sinjil, entre Ramallah e Nablus, os colonos tentaram entrar armados nas casas de uma aldeia árabe e incendiaram uma plantação. As forças israelenses, por sua vez, bombardearam a aldeia palestina de Beit Lahya em retaliação ao atentado de Gaza, ferindo cinco moradores, um dos quais está em estado gravíssimo. Em meio a este clima, Solana, o comissário europeu Miguel Moratinos e Burns conversaram com o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e com o ministro israelense de Relações Exteriores Shimon Peres, sobre as formas de manter a frágil trégua. Os diplomatas viajarão neste sábado a Ramallah para debater o assunto com o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat. Os contatos diplomáticos atingirão o ápice na próxima semana, quando Sharon se reunirá em Londres com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, e em Washington com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Logo em seguida, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, iniciará suas primeiras idas e vindas pelo Oriente Médio. Este esforço diplomático poderá ser alterado a qualquer momento por causa de episódios de violência. Peres disse a Solana que Arafat não está cumprindo a promessa de prevenir novos atentados. Com relação a este assunto, o jornal Haaretz revelou que o serviço secreto de Israel entregou a seus pares palestinos os nomes de dois militantes do Hamas que seriam responsáveis pelo atentado de 1º de junho em Tel Aviv, no qual morreram 22 pessoas. Os dois islâmicos admitiram responsabilidade pelo atentado e, segundo o Haaretz, foram repreendidos e colocados em liberdade. Peres disse a Solana que os guerrilheiros libaneses pró-iranianos do Hezbollah estão se organizando nos territórios para ameaçar a estabilidade da Autoridade Palestina. O ministro de Relações Exteriores de Israel lamentou que Arafat não tenha tentado nem sequer conter os militantes palestinos que pretendiam se sacrificar em território israelense. Segundo o serviço secreto israelense, militantes poderiam entrar em ação nos próximos dias para tentar obrigar Sharon a cancelar no último minuto sua viagem aos Estados Unidos. Na Cisjordânia, onde soldados israelenses feriram a tiros oito palestinos, a situação não é menos explosiva devido à repetição de violentas expedições organizadas por colonos judeus contra a população árabe nas proximidades de aldeias onde operam células armadas palestinas. Os veículos de comunicação palestinos divulgam listas cada vez mais extensas e detalhadas de localidades onde são incendiados campos e automóveis e casas são destruídas. Segundo a imprensa palestina, o Exército de Israel sempre chega atrasado e "deixa" os colonos agirem. Para a imprensa, os colonos judeus compõem "bandos armados" com os quais é impossível negociar uma trégua.

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