ILYAS AKENGIN/AFP
ILYAS AKENGIN/AFP

Violência antecede eleições na Turquia

Explosões antes de comício de partido pró-curdo deixam 2 mortos e 100 feridos

O Estado de S. Paulo

05 de junho de 2015 | 21h27

Pelo menos duas pessoas morreram e cem ficaram feridas nesta sexta-feira, 5, em duas explosões durante um comício do opositor e pró-curdo Partido Democrático do Povo (HDP), no sudeste da Turquia. O presidente Recep Tayyip Erdogan descreveu o incidente como uma “provocação” destinada a prejudicar as eleições gerais, que serão realizadas amanhã.

O número de vítimas foi atualizado por Mehdi Eker, ministro da Agricultura e deputado por Diyarbakir, cidade onde ocorreu o incidente.

As explosões, cuja origem ainda não foi determinada, ocorreram às 13h55 (locais) em uma praça onde uma enorme multidão estava reunida, pouco antes do discurso do presidente do HDP, Selahattin Demirtas. Ele disse que não sabia se havia sido um atentado ou uma explosão em um transformador elétrico. Segundo informações preliminares, uma das explosões teria ocorrido em um cesto de lixo e a outra, minutos depois, perto de um transformador de energia.

Mas o ministro turco de Energia, Taner Yildiz, negou que o incidente tivesse origem no transformador. “Inspecionamos o equipamento e é óbvio que a explosão ocorreu fora. A porta está danificada na parte de fora e não apresenta danos internos”, afirmou.

Após o incidente, a TV curda Med-Nuçe transmitiu imagens de um confronto entre simpatizantes do HDP e policiais deslocados para a área, que utilizaram gás lacrimogêneo. Mas os distúrbios não se generalizaram.

Demirtas pediu calma a seus partidários e disse que não se deixassem levar por provocações. “O HDP não cairá nessa armadilha. Nenhum partido é nosso inimigo. Apesar de todas as provocações, manteremos a disciplina até o fim das eleições. Nunca os deixaremos vencer pela fúria”, pediu Demirtas, em um discurso emocionado.

Durante a campanha eleitoral, o HDP foi alvo de dezenas de ataques, que deixaram vários feridos em estado grave. Em Erzurum, no nordeste da Turquia, onde o partido de esquerda realizava um comício, um micro-ônibus foi incendiado e o motorista teve queimaduras graves.

Uma explosão geral de violência pouco antes das eleições gerais de amanhã pode atrapalhar a aspiração do HDP de superar os 10% da cláusula de barreira para entrar ao Parlamento. Segundo analistas, uma violenta revolta curda voltaria a despertar os temores de boa parte da população turca, que associa esse partido à guerrilha curda. 

A Turquia terá as eleições gerais mais incertas desde 2002, com a possibilidade de o partido islâmico Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdogan, perder sua maioria absoluta.

A votação também é vista como uma espécie de plesbicito sobre os planos do presidente de assumir mais poderes. As pesquisas dão ao AKP entre 40% e 42% dos votos. O Partido Republicano do Povo, de orientação social-democrata, ficaria com 26%, e os direitistas do Ação Nacionalista, 17%. / EFE 

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