Violência aumenta no Quênia e número de mortos chega a 250

Multidão põe fogo em igreja no interior do país e cerca de 50 pessoas morrem queimadas

Nairóbi, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2008 | 00h00

O número de mortes causadas pela onda de violência que tomou conta do Quênia subiu para 250. Ontem um grupo de manifestantes colocou fogo em uma igreja em Eldoret, a 300 quilômetros de Nairóbi, capital queniana. Cerca de 50 pessoas foram queimadas vivas, a maioria crianças que usavam o local como abrigo. A violência fez com que pelo menos 70 mil pessoas fugissem de suas casas no oeste do país. Imagens aéreas do local mostraram centenas de casas e barracos incendiados, assim como vários postos de controle instalados nas estradas da região. "É um desastre nacional", afirmou o secretário-geral da Cruz Vermelha queniana, Abbas Gullet.A atual onda de violência já é a mais grave registrada no país desde um tentativa de golpe de Estado frustrada em 1982 contra o então presidente Daniel Arap Moi. A explosão de violência começou no domingo, após a posse do presidente Mwai Kibaki. A oposição, liderada por Raila Odinga, acusa Kibaki de ter fraudado as eleições e de ser responsável pela fúria da população. O presidente tomou posse para um segundo mandato apenas uma hora depois de ter sido declarado vencedor.DIÁLOGOKibaki convocou ontem uma reunião com dirigentes de partidos políticos para tentar encontrar uma maneira de fazer com que a paz retorne ao país. Odinga, porém, recusou-se a participar. "Se ele (Kibaki) anunciar que não foi eleito, então conversaremos", afirmou o opositor, que não aceitou o resultado da eleição e acusa o presidente de genocídio.Preocupada com a incontrolável escalada da violência no país, a comunidade internacional voltou a pedir diálogo entre Kibaki e Odinga. Em um primeiro momento, Washington deu os parabéns a Kibaki, mas logo em seguida mudou de atitude e expressou "preocupação com as irregularidades". Grã-Bretanha e União Européia (UE) sequer enviaram congratulações ao presidente eleito e pediram a reconciliação dos dois lados. A missão de observadores da UE requisitou ontem uma investigação independente sobre as eleições realizadas na semana passada. Os delegados da UE afirmaram que quase todas as irregularidades detectadas beneficiaram o partido do presidente Kibaki.Segundo os resultados oficiais das eleições, a diferença entre os dois candidatos foi de 231.728 votos. A oposição, contudo, acusa o presidente Kibaki de ter fraudado pelo menos 300 mil cédulas eleitorais. AP, AFP E REUTERS

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