Violência avança no Líbano e deixa mais 10 mortos

Hezbollah enfrenta drusos em montanhas; sobe para 53 total de mortos em cinco dias de confrontos

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

12 de maio de 2008 | 00h00

Confrontos entre militantes oposicionistas do grupo xiita Hezbollah e partidários da coalizão de governo espalharam-se ontem para a região de montanhas ao sul de Beirute e deixaram oito mortos. Durante a madrugada, confrontos em Trípoli, no norte do país, deixaram dois mortos. Segundo a Reuters, o total de mortos em cinco dias de combates chegou a 53; também há 150 feridos. A onda de violência é a pior desde a guerra civil libanesa (1975-1990).Os combates ocorreram um dia depois de o Hezbollah acatar um pedido do Exército e retirar das ruas de Beirute seus militantes, que haviam tomado o controle do oeste da capital na sexta-feira. Os novos choques começaram depois de o grupo xiita acusar partidários do líder druso governista, Walid Jumblatt, de seqüestrar um de seus militantes e matar outros dois. Em Beirute, a 15 quilômetros do local onde os choques ocorreram, era possível escutar o som de metralhadoras e explosões. Jumblatt pediu que o líder druso da oposição, Talal Erslan, mediasse os confrontos para pôr fim à violência."Digo a meus partidários que a paz civil, a coexistência e o fim da guerra e da destruição é mais importante do que qualquer outra consideração", disse Jumblatt. Logo após o pedido, Erslan conclamou todos os grupos de oposição a aceitarem imediatamente um cessar-fogo. Ele também pediu que os partidários de Jumblatt entregassem suas armas ao Exército. Ontem, a Liga Árabe realizou uma reunião de emergência no Egito para pedir o fim dos confrontos no Líbano.No sábado, o Hezbollah aceitou retirar seus militantes de Beirute após o Exército congelar duas medidas impostas contra o grupo pelo premiê libanês, Fuad Siniora. O grupo, porém, afirmou que continuaria sua campanha de "desobediência civil" até que as medidas fossem revogadas pelo gabinete ministerial. O governo deve se reunir nos próximos dias para discutir as "possíveis saídas para a crise".A violência no país começou na quarta-feira, após o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, acusar o governo de "declarar guerra" contra o grupo ao ordenar a destituição do chefe de segurança do aeroporto de Beirute e o fechamento de sua rede de telecomunicações.Analistas acreditam que os conflitos podem pressionar o governo a chegar a uma solução para a crise política que toma conta do país. Desde novembro, o governo transferiu os poderes presidenciais para Siniora, já que não conseguiu alcançar um consenso para escolher um sucessor para o ex-presidente libanês Emile Lahoud.

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